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Micro Contos – Como e Por Que Escrever

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O que são e o que não são Micro Contos

Micro contos são narrativas muito curtas, com 300 palavras ou menos, que trazem uma história total, não parcial. Não são muito populares no Brasil, nem mesmo tem valor comercial. Então por que nós, escritores brasileiros, deveriamos perder tempo escrevendo micro contos?

Primeiro porque para o escritor qualquer forma de escrita é válida. De haicais à sagas em “n” volumes.

Escrever micro contos permite ao autor avaliar o que é importante na prosa. Trabalhar o vocabulário e escolher as palavras mais adequadas. Cortar  redundâncias e tudo o que não é essencial. O autor fica afiado na hora de escrever narrativas longas. Além do que é uma forma de arte com as palavras, um modo divertido ou profundo de contar histórias.

Precisamos saber, no entanto, o que um micro conto NÃO é: um resumo de uma história ou uma parte isolada de uma narrativa maior. Também não são pensamentos aleatórios ou reflexões, cenários desconexos. Ações sem contexto não são micro contos. Recortes dentro de uma narrativa maior não são micro contos.

Micro Contos são narrativas completas e como tal necessitam de enredo, elementos do arco narrativo (reviravolta, flash backs, repetições, conflitos etc.), personagens, local, tempo.

Dois micro contos e seus elementos narrativos

Assim como o conto tradicional, a linha narrativa é melhor desenvolvida se baseada em três personagens e a trama contenha elementos simples e facilmente reconhecíveis.

Acerto de Contas – Lydia Davis (considerada uma das melhores escritoras contemporâneas de narrativa curta)

 “O fato de ele não me dizer sempre a verdade faz duvidar da verdade do que ele às vezes me diz, e então tento descobrir pelos meus próprios meios se é verdade ou não o que ele está a dizer, e algumas vezes sei que não é verdade, outras vezes não sei e nunca saberei, e outras ainda, só porque ele não para de me dizer, convenço-me de que é verdade, porque não acredito que ele seja capaz de repetir tão constantemente uma mentira.”

Personagens – duas pessoas num relacionamento

Arco – estabelece a dúvida sobre o que ouve do parceiro, faz uma busca para descobrir o que é verdade, termina por convencer-se que ele às vezes não diz mentiras.

Elementos narrativos – flash back, reviravolta, conflito, repetição

Tempo – ao longo do relacionamento.

Arquíloco – séc. VII a.C.

Algum saio (guerreiro da tribo inimiga) do escudo se orgulha. Sem querer abandonei a arma num arbusto. Salvei minha vida, que me importa o escudo¿ Perca-se: conseguirei outro igual.

Personagens – Arquíloco e o saio

Arco – perdeu o escudo, salvou a própria vida, eliminou o arrependimento

Elementos narrativos – flash back, suspense, conflito, repetição

Tempo – durante uma batalha

Local – no campo de batalha

Dicas para escrever micro contos

  1. Mostre não conte, este conselho essencial para qualquer narrativa, deve ser seguido à risca para as narrativas curtas.
  2. Atenha-se ao que faz uma narrativa interessante, conflito, cenário, atmosfera, personagens, enredo
  3. Escreva e reescreva sua história diversas vezes, quantas forem necessárias, até que ela só mostre o essencial.
  4. Comece pelo meio, pela parte mais importante ou mais emocionante. Forneça uma guia da história ao leitor.
  5. Escolha o melhor título possível, ele fará parte da narrativa
  6. Deixe um questionamento na última linha que conduza o leitor a reler o conto para entender a mensagem. Ou seja, leve o leitor por um caminho e o empurre para outro.
  7. Coloque a conclusão no meio da história.

Neste link, Lydia Davi conta sobre seu processo criativo e mostra como um dos seus contos foi escrito. Do rascunho ao final.

 

http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2014/07/lydia-daviss-very-short-stories/372286/

O desejo de ser como um rio

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Não comprei minha passagem para o outro eu. Embora, nos últimos dez anos, tenha guardado dinheiro para este fim. Acessei o link, marquei o dia e a hora da viagem e fui até o guichê para embarcar. Uma fila imensa. Odiar multidões é uma das muitas neuroses que a idade me trouxe. Faltando dois números, desisti. Não estou velho o suficiente para perder toda a disposição de lutar contra o novo. Voltei para casa e peguei meu crochê, dei laçadas e laçadas até que novos calos crescessem sobre os outros. Antoine me chamou três vezes e não atendi, nem deletei.

Confortável e protegido pelas almofadas sobre o sofá, concentrei toda a minha capacidade em copiar o padrão da combinação de cores no modelo, para que ao final do processo o desenho fosse o mais perfeito possível. Em algum momento, anestesiado pelo compasso da agulha, adormeci. Quando acordei tomei o resto do suco que ficou me esperando sobre a mesinha. Os líquidos me entendem, se acomodam ao copo, se acomodam dentro de mim. Fui ao banheiro, precisava de um banho, mas não tomei. A linha em toda a extensão do novelo cheirava a mim.

Antoine chamou e o localizador apontou para a minha porta. Esqueci de marcar ausente e ele sabia que eu estava em casa, escondido, imóvel. Será que eu poderia ser a porta da rua na próxima vida? Não me sentiria sozinho, ouviria as conversas dos que me esperavam abrir, mudaria de cor e forma de tempos em tempos. A resposta é não. Então teria que ser a alma da porta, não a porta física, não seria eu, mas a minha alma a ocupar um lugar.

Antoine usou o código que lhe dei e entrou provando que a minha resistência era inútil. Seria encontrado e confrontado de qualquer jeito. Ele me fez as perguntas para as quais eu mesmo buscava respostas.

– Está lúcido? – Foi a primeira.

– Acho que sim, não sei. Boa tarde, Antoine.

– Boa tarde, Lucas. Que aconteceu com você?

– Eu fui, mas não tive coragem. Você entende?

– Olha para mim.

Eu estava olhando para ele e para aquele mundo torto e sujo, que um dia foi como meu apartamento. Janelas retas e móveis práticos. Antoine refletia sobre o vidro da janela num laranja crepuscular e compassivo. Ele me observando envelhecer e sofrer.

– Eu mudei – disse.

– Não, Antoine, para mim continua o mesmo. – Virei e meu amigo estava nítido, em nada parecido com o sol moribundo do fim da tarde. Resplandecente em toda a sua juventude e energia, como 40 anos atrás.

– Eu só fiz por que você disse que faria o mesmo depois que eu atingisse a idade limite! Gastei tudo o que tinha! Mudei, estou pronto, esperando por você. – Os olhos brilharam, mas nenhuma lágrima. Antes da viagem com certeza choraria rios, fluído como era.

– Não consegui. Acho que não consigo. – Volto a olhar o crepúsculo, agora roxo e fúnebre, as nuvens descendo junto com o sol para as entranhas da cidade gigante que é o hoje.

Por insistência dele, agendo uma consulta com a doutora Simone, do outro lado do rio. Vou a pé, meu prédio é um dos únicos nesta região que não sofreu interferências até perder a estética, assim como eu. Não me acomodo à nova maneira de viver, ele também. Somos pares, nossa paisagem continua do mesmo jeito de quando éramos criança: paredes retas, janelas retangulares, terraços espaçosos com seus parapeitos gradeados onde minha mãe costumava pendurar o tapete da sala para arejar. “Tapetes respiram”, dizia ela. O estacionamento em frente onde brincava com meu skate não existe mais, foi substituído por uma torre verde, um enorme emaranhado de plantas hipócritas na Rua da Agricultura que não produzem sequer uma romã, sem folhas no inverno e infestado de insetos no verão.

Quando o sol ataca a janela do meu quarto carregado pelos pernilongos e moscas, meu desejo de viajar e ser o outro aumenta. Nos últimos dez anos, todos os dias durante os dois meses de sol intenso, faço uma oração de estio, ameaço os insetos com a intenção de abandoná-los, deixá-los sem a iguaria que é meu sangue ralo de idoso. Tóxico de passar pela vida respirando poluição e ameaças. Então, como os padres extintos, me recolho ao catre – minha cama envolta em tela – e procrastino, peço ardentemente por mais um dia, me penitencio com picadas.

No fim da rua havia uma prisão que virou hospital que agora é depositário dos que transitam entre esta vida e a outra. Minha mãe dizia que éramos sortudos, pois se qualquer doença nos acometesse era só andar uma quadra e pronto, não precisaríamos nem de ambulância. Nunca precisamos, meu pai era catalão, dizia: “meu filho é forte como um touro”. Só preciso andar uma quadra para ser jovem, ser melhor, quase imortal. Quando tiver coragem para abandonar-me eu irei, ou melhor, quando tiver certeza de que a vida que levei valeu a pena, conseguirei passar pela multidão e retirar minha passagem, andar este quarteirão e me juntar ao futuro. Antoine ficará feliz em ver um Lucas que nunca deixará de amanhecer, como ele.

A Avenida Charles de Gaulle não existe mais, aqueles prédios baixos, os espaços abertos. O vento úmido com o cheiro do rio é amparado pelas aletas dos edifícios tortos entre vielas idem, de onde pendem itens variados para o conforto dos que se arriscam voar. Prefiro rastejar, mas não há a opção pele de lagarto na nova vida: asas retráteis, pés rodantes, mãos multiuso, sexo reversível são as modificações mais solicitadas. O dinheiro compra mobilidade e prazer. As minhas juntas doem e estalam, o peso do meu corpo é excessivo e meus joelhos que se dobram para dentro permanecem inchados a despeito das pílulas e injeções. Bato a bengala na calçada, mais para espantar a dor do que me equilibrar. Queria arrastar-me pelo chão, investigar as frestas e desaguar no rio.

Não gosto de atravessá-lo ele me faz querer mergulhar até o banco de areia no seu fundo, areia que se espalha pelas suas margens nuas, sem plantas, no descaso onde estendem-se os ociosos do fim da tarde. Tiraram as laterais da ponte, desnecessárias neste mundo seguro, sem suicidas ou veículos erráticos. Sento-me na beirada de concreto e observo a corrente tranquila do rio serpentear pela cidade. Do outro lado, a doutora me espera e o rio de outra cidade, imundo. A confusão dos que gritam para além da ponte.

– Sente-se, Lucas. É bom tê-lo aqui, são poucos pacientes hoje em dia. Todos se acham perfeitos e sem problemas. Não que esteja reclamando.

– Já está, doutora.

– Sei, queria trabalhar mais. Temos a mesma idade, você sabe, não?

– Sim, você já me disse. Nasceu no Rio, não foi?

– Não, em São Paulo, deste lado do rio. Havia uma rodoviária aqui bem movimentada.

– Novos tempos, novas experiências.

Ela parece distante. Da sua própria profissão. Fomos jovens num tempo em que o trabalho era tudo, dignidade e escravidão, corda bamba que cruzávamos todos os dias na intenção única de sobreviver. Para os que amavam o que faziam é doloroso olhar o passado e desvencilhar-se deste amor. Eu era fotógrafo, parte do que capturei em preto e branco está na minha caixa de memórias que pode ser acessada por todos, mas quase ninguém vê. Eu a chamo de minha paixão invisível.

– Eu imaginava – diz ela – na vida anterior, que a esta altura estaríamos todos morando numa estação espacial e comendo ração ou encontrando algum predador alienígena. – Simone enlaça os dedos de 30 anos, ela sempre foi comedida, a maioria pede menos de 25. As unhas estão pintadas de vermelho fogo como os lábios.

– Posso falar do que me incomoda? – Interrompo suas divagações, não quero voltar depois de anoitecer e nossas sessões são doloridas.

– Claro, Lucas. Desculpe. Fale, por favor.

– A solidão. Eu tinha um trabalho reconhecido no mundo inteiro, não era famoso, mas meus pares me motivavam e eles não existem mais.

– Explique melhor seu raciocínio, Lucas. Pois acredito que as pessoas a quem se refere estão vivas, pelo menos a maioria.

– Elas estão vivas para si mesmas. Nós, os mais velhos, ainda podemos sentir aquela compaixão desapegada. Antes se caíssemos na rua, seríamos amparados por estranhos que não perguntariam se éramos dignos ou não de ajuda. Não remexeriam nas nossas informações para saber que tipo de pessoas somos ou fomos, simplesmente nos ajudariam. Hoje, sofremos de compaixão seletiva.

– Você acha que não te ajudariam se o vissem cair na rua?

– Provavelmente não, foram tantos os erros semânticos e não semânticos que cometi na vida. Todos nós cometemos, quero dizer.

– Eu não me lembro de nenhum. Esta é uma das vantagens de renascer, acho mesmo a melhor. – Deu um sorriso resignado. – Poder eliminar todos os arrependimentos.

– Deve ser o Paraíso na Terra, não é? – começo a rir e não consigo parar até que o riso vire gargalhada. – Somos todos uns filhos da puta ateus procurando pela redenção religiosa disfarçada de tecnologia, a humanidade virou uma charge gigantesca.

Simone esperou primeiro a graça passar em mim e então a volta do ar aos meus pulmões asmáticos. Eles que são parte da minha resistência pacífica e recusam-se a trabalhar na normalidade. Respiro amplamente num esforço para sugar todo o ar da sala e faço aquele som de torneira abrindo e cano vazio. Ele resiste, o ar da sala continua todo lá, rodando à minha volta, zombando da minha incompetência em subjugá-lo.

– Sinto muito, Simone – sussurro ou arfo ou os dois.

– Quando estiver melhor continuamos, sabe que não tenho pressa. Não preciso ter.

– Vou indo. Tenho uma colcha para acabar. – Apoio a bengala no tapete sujo e levanto.

– Lucas, precisamos conversar. Por favor, sente-se, não fuja de si mesmo novamente.

– Eu sei que não há saídas, Simone. Amanhã viajo, em uma semana estarei nos braços de Antoine, novo em folha, um lindo bebê com sua memória em progresso. Quero escolher parar aos 35 anos, acha uma boa idade?

– Sim. Quero te ver em alguns anos, promete voltar.

– Prometo voltar e te levar para olhar as estrelas e fazer amor sob elas até amanhecer. Como antigamente.

– Não me lembro disso.

– Desta vez não vai se arrepender.

Ao deixar o consultório tenho a impressão que consegui enganá-la, mesmo sem saber porque o faria, talvez só para me livrar desta Simone. No princípio era novidade, recordava dos nossos tempos em Paris, do apartamento longe do centro, da comida brasileira que ela me fazia, enquanto ela falava. Ela não recorda mais. Ao longo de nossas conversas consegui descobrir o que ela trouxe para a nova vida e o que deixou para trás, mas estou longe de conquistá-la e quando recuperar as lembranças de nós dois elas se limitarão àquele consultório monótono do lado barulhento da cidade ubíqua. Nossos diálogos sem nexo, as minhas inconstâncias e as inseguranças dela. Médico e paciente, barreira moralmente intransponível como um incesto.

As paredes grafitadas e irregulares do túnel Cruzeiro do Sul sustentam milhares de abrigos sobre ela, os refugiados da Cidade Luz, os que não tinham dinheiro para a transformação. Cogitei mudar-me para cá, para o resto do mundo que não conhece nada além da necessidade de sobreviver este dia para talvez ganhar o próximo. Sou prisioneiro do meu conforto, da minha rotina, dos dois banhos diários, das histórias nas estantes da memória, da cultura e correção dos meus pares, da comida que nunca falta. Sem falar, mas já falando, do crochê e das almofadas sedutoras sobre meu sofá.

Preciso de um transporte, é quase noite. Talvez quando sair do túnel o horizonte já esteja negro e a lua tenha tomado emprestado um pouco do brilho do sol. Vou a pé. Daqui a pouco minhas costas arquearão ainda mais e meus joelhos latejarão. Mais adiante, disputarei contra o ar, com ajuda dos meus velhos escudeiros, os pulmões, tossirei e arfarei até que derrotado ele não tenha outra opção a não ser deixar-se respirar. Sentirei pela última vez todo o pesar da minha vida, chorarei a noite inteira a tristeza infinita que é amar e perder o amor, amar e perder o amor, amar e perder o amor.

É noite sobre a ponte sobre o rio. Ele fluí e eu sento exaurido para vê-lo seguir sem que lhe seja cobrado outro caminho que não o seu destino. O que previ no túnel alguns minutos atrás torna-se realidade. Menos o resultado da batalha, o ar venceu e não tenho mais provisões no meu castelo fortaleza murado contra o novo. Quero tombar para frente, cair, tocar a água e ser levado para a areia, mas sinto meu corpo inclinar para o lado, meus dedos soltarem o cabo da bengala, a Lua me iluminando, refletindo sua distância na lâmina do rio.

Não sei por que tenho medo do prédio na Rua da Agricultura. Papai me diz que foi na outra vida. Fico mais tranqüilo.

– O que você quer fazer depois do passeio, Lucas? – ele pergunta.

– Brincar de voar!

Antoine abre as asas e me carrega. Ele é o melhor pai do mundo!

 

 

12 FUNDAMENTOS PARA ESCREVER O OUTRO – TRADUÇÃO DO ARTIGO DE DANIEL JOSÉ OLDER

“Todo o tempo que despendemos escrevendo sobre o outro, nós negligenciamos o verdadeiro problema que é escrever nós mesmos. Os privilégios sobrevivem na invisibilidade e no silêncio. Privilégios também nos cegam a respeito de quem nós somos e de como somos vistos pela sociedade à nossa volta, e não percebemos que possuímos um escudo que nos dá proteção extra no jogo da representação social.”

 

Estamos sempre escrevendo o outro, e sempre escrevendo nós mesmos. Nos deparamos com uma equação quase impossível de resolver toda vez que contamos histórias. Quando criamos personagens com origens e experiências diversas das nossas, nós estamos na verdade contando essencialmente suas histórias sob a nossa própria perspectiva.

Nós nos deparamos com discussões acaloradas sobre escrever o outro – a intersecção entre poder e identidade, privilégio e resistência –  em seminários, nas seções de comentários dos artigos e blogs, na rede social, em salas de aula. Então, como podemos escrever respeitosamente na perspectiva do outro? Aqui estão 12 orientações para iniciar este processo:

1. Pesquisar é só o começo e ainda é muito pouco

Quase todas as conferências, dissertações, blogs e seminários que tenho visto a respeito de escrever o outro podem ser resumidas em “faça sua lição de casa”. Deduz-se pelo não dito que todas as peças deste quebra-cabeças insolúvel de privilégios e poder se encaixarão perfeitamente, se fizermos nossa pesquisa. Só que não é assim. Escrever sobre pessoas que têm uma experiência de identidade diferente da nossa não é um desafio narrativo de simples solução. Vários escritores que são “especialistas” em uma cultura específica ainda criam estereótipos pobres e vulgares quando se trata de trazer esta especialização para criar personagens reais.

As raízes da prática de pesquisa ocidentalizada de culturas diversas incluem eugenia, dissecações, esterilizações forçadas e, frequentemente, o véu desumanizador da antropologia. Não estou dizendo que “toda a pesquisa é má”, mas sim que temos que ter consciência das histórias complexas e mesmo dolorosas que abordaremos para que não repitamos os traumas já causados.

Eis o que diz o escritor de American Horror Story, James Wong: “Fizemos uma pesquisa profunda sobre magia negra e claro, não existia tanta coisa para a gente trabalhar em cima porque nada disso é verdade (risos). Mas quando fazemos pesquisa, encontramos muitos símbolos sobre fertilidade e fomos juntando e misturando este e aquele até resultar na cerimônia que criamos”. A despeito da sua opinião sobre American Horror Story, positiva ou negativa, este é um exemplo excelente de como a pesquisa é somente o primeiro passo. Tendo feito uma “porção” de pesquisa, o time de escritores optou por jogar as cerimônias de fertilidade num caldeirão, misturar tudo e criar algo novo. Veja que a ideia principal era de que nenhuma destas crenças tinha alguma verdade é algo risível para o Sr. Wong. Uma mistura de elementos pode ser bem feita. No entanto, se misturada, como geralmente se faz, com flagrante desdém pelo sistema de crenças que professa, o resultado é uma massa padrão, que não é isso ou aquilo, versão sintética de uma cerimônia sagrada enraizada em tropos de racismo e desrespeito.

2. Seus parâmetros são uma merda (¹)”

Diz Juno Díaz: “A única coisa que se pode dizer de um cara que escreve na perspectiva de uma mulher é: seus parâmetros são uma merda”. A marca de um grande músico não é a sua habilidade com o instrumento (²), mas sua capacidade de ouvir. O patriarcado vem ensinando desde sempre aos homens (NT: gênero) que supostamente nós somos especialistas automáticos em qualquer assunto, então por que ouvir o que outra pessoa tem a dizer sobre o assunto? Resposta: Para escrever o outro nós temos que ouvi-lo. Para ouvir precisamos calar. E esta não é a uma tarefa simples, só esperar alguém terminar de falar para então desembuchar imediatamente seu ponto de vista. Sério. Sente-se, respire profundamente e ouça o que as pessoas em volta estão dizendo. Ouça a você mesmo, seu próprio eu. Suas dúvidas e medos, as coisas que não quer admitir. Ouça as coisas que as pessoas dizem que fazem você se sentir desconfortável. Sente-se com este desconforto. Compreenda que está errado. Então tente errar menos e vá em frente.

3. Empoderar (³) importa

Diz-se que o conflito é a espinha dorsal da história, e o poder é o cerne do conflito, o que faz a história ter importância. Mas a nossa classe raramente oferece uma discussão sobre empoderamento e suas faltas e falhas. Como escritores de ficção não esperam que sejamos versados em escrever sobre o empoderamento, os detalhes, a sutileza, a complexidade disto ou a dor no coração. Habitualmente, pesquisa de fatos toma o lugar de diálogos profundos sobre opressão e resistência.

A compreensão do empoderamento importa mais do que detalhes tangíveis.

Cada personagem tem uma relação com o poder, que inclui as faces: institucional, interpessoal, histórica e cultural. Que é representada das micro-agressões aos crimes de ódio, de orientação sexual, à imagem corporal, das mudanças nas posturas de vida devido aos aborrecimentos cotidianos e diários e no profundo trauma histórico sofrido por uma comunidade. Poder afeta a relação do personagem consigo mesmo e com os outros, sua jornada física e emocional através da história. Se você ignora isso, ao final do processo você obterá bonecas de papel ou rostos brancos pintados de preto.

 

 

Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço de Germana Vieira – www.lizziebordello.com/

4. Esqueça o outro. você consegue escrever sobre si mesmo?

Todo o tempo que despendemos escrevendo sobre o outro, nós negligenciamos o verdadeiro problema sobre escrever nós mesmos. Os privilégios sobrevivem na invisibilidade e no silêncio. Privilégios também nos cegam a respeito de quem nós somos e de como somos vistos pela sociedade à nossa volta, e não percebemos que possuímos um escudo que nos dá proteção extra no jogo da representação social. Então vemos tantos caras bonzinhos e perfeitos, salvadores brancos e machos que fazem tudo “certo” e sabem exatamente como agir.

Você, possivelmente, não tem ideia de como os outros o percebem e, principalmente, se a imagem que faz de si mesmo é desconfortável por conta da qualidade do poder que ela perpassa. Salta na página este tipo de abstração do escritor.

Não existe escassez quando o assunto é livros de pessoas brancas falando de pessoas negras, o que não vemos muito são livros de pessoas brancas escrevendo sobre a experiência emocional, política, e social de ser um branco, os desafios e complexidades de ser branco. Nós não vemos muitos homens escrevendo sobre o patriarcado, como isso nos estragou, como diariamente ao nosso redor, aqui e ali, dançam os discutíveis gêneros binários. Sim, isto soa como tópicos para uma dissertação, mas na verdade são exatamente os tipos de conflitos internos que dão vida a um personagem.

 

5.  “Escrita racista é uma falha na construção da história”

Kwame Dawes apontou esta falha na AWP (Association of Writers and Writting Programs). Eu a mencionei anteriormente e vale a pena repetir de vez em quando. Nós falamos sobre preconceito e ódio de gênero como se eles fossem somente morais ou políticos, no entanto, essa abordagem resulta em estereótipos redundantes. Se você escreve estereótipos, sejam eles personagens, pontos na trama, ou pistas contextuais, você está escrevendo alguma porcaria que vem sendo repetida ao longo de gerações. Isso é chato, você consegue fazer melhor.

6. Caso de vida ou morte

Tendo dito que a escrita racista é um caso de como construir sua história, quero deixar claro que vai muito além disso. Normalmente o racismo é colocado em pauta como “ofensivo” ou discute-se o “politicamente correto”. Este é o ponto para debate: nem tanto isso, nem tanto aquilo. Estes formatos são uma moldura condescendente e desumanizadora do diálogo. Estamos falando de vozes continuamente silenciadas e apagadas pela corrente principal da cultura hétero-branca-machista.

Estamos falando da vida e morte de povos inteiros, estamos falando de auto estima e humanidade. Mesmo sendo adultos, com raras exceções, não percebemos como lidar com esta imagética. Pois quando criança não nos foram dadas as ferramentas para lidar com isso. Elas, as crianças, se deparam com isto mais do que ninguém. As altas taxas de suicídio e a opressão racial e de gênero que elas internalizam são reais.

Não podemos continuar criando gerações de crianças negras sob a égide de que só há espaço para elas como os caras maus nas histórias ou o figurante que vai morrer e gerações de crianças brancas pensando que estão perto de Deus só por causa da aparência. Não podemos continuar promovendo normativas sexistas hetero/cis e ideias racistas em nossa literatura. Criando uma configuração padrão de raça e gênero. Se você não está trabalhando contra isso conscientemente, está trabalhando a favor. Ser neutro não é uma opção. O luxo de se pensar deste jeito tem que acabar.

Citando Junot mais uma vez. “Eu acho que a menos que você esteja trabalhando ativa e conscientemente contra a atração gravitacional da cultura, você criará uma temática previsível com esta representação babaca de estereótipos. Sem falhas. A única maneira para fazer isso é admitir para si mesmo que você não é bom com estas questões, e estar consciente do processo de criação destes personagens.”

7. Ritual ≠ Espetáculo

Recentemente editei “Long Hidden”, uma antologia de ficção especulativa com contornos históricos. Eu e minha co-editora, Rose Fox, recebemos um grande número de submissões que não tinham nenhum elemento especulativo e apresentavam cenas de cerimônias não-cristãs. Culturas e crenças diversas de outros povos não são fantasia. Uma coisa é um semideus ou espírito andar por ai, interagindo com as pessoas – só essa interação por si terá uma certa complexidade – outra coisa é pessoas que celebram a sua crença serem incluídas no elemento fantasia, ou seja, serem consideradas não reais (NT), este tipo de coisa caracteriza-se como racismo cultural imperialista.

Além disso, a cultura de outras pessoas não é um circo, um show de horrores, um vídeo de música pop, uma paródia kitsch de um lar, uma fantasia de Halloween, uma afirmação para seu próprio ego.

Veja acima o que disse o roteirista de American Horror Story: “nada disso é real (risos)”. Se a possibilidade destas crenças serem reais é uma piada não escreva sobre elas.

No espetacular “Is Paris Burning?” Bell Hooks escreveu que “ritual é o ato cerimonial que carrega um significado… que vai além da aparência, enquanto espetáculo funciona somente como uma apresentação dramatizada feita para entreter… estes elementos de um dado ritual que são empoderadores e subvertem a ordem, podem não ser perceptíveis para quem olha de fora.

Por isso é fácil para um observador branco retratar rituais negros como espetáculo. Mais adiante, Hooks argumenta como o documentário Paris is Burning reforça esse retrato espetaculoso e desumanizante do ritual quando uma das pessoas retratadas no filme é morta: “tendo servido ao propósito do espetáculo, o filme abandona-o/a… Não há cenas de pesar pela sua morte. Falando grosseiramente, sua morte é suplantada pelo espetáculo. A morte não é  divertida.”

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8. Pesquisa do Outro: História com Estereótipo

Uma estratégia comum para escrever sobre o outro é inverter o estereótipo. O que é somente um começo, porque você continuará apoiado no clichê original, na verdade, terá que ir mais longe. Para começar uma contra narrativa, você tem que saber o que está lá fora. De outra forma trabalhará no mesmo caminho e chegará à mesma porcaria. Textos como o de Edward Said, Orientalismo, famoso por virar o jogo da antropologia branca, analisando sua própria análise, não refletem o que as pessoas querem dizer quando se referem a pesquisar sobre, quer dizer, não há a análise sobre a pesquisa na sua pesquisa, e a análise é tanto ou mais do que o subtexto da história que está contanto. Portanto, fique atento ao seu poder opressor.

 

9.  Evite o Enredo “Sou o Único Capaz de Salvar o Mundo”

 

Falando de estereótipos, vamos pegar o Mágico Negro como exemplo, usada excessivamente no meu gênero preferido, ficção especulativa (FFC). Se no seu livro existir duas pessoas negras e ambas têm superpoderes e representam forças do bem e do mal você tem um problema. Entre estes dois personagens será expressa uma gama de características e complexidade emocional genuinamente brancas. Não importa se um dos personagens seja o bonzinho, acredite, você vai errar.

Na verdade, nós temos que ultrapassar o enredo do tipo O Escolhido, “The Chosen One”. Esse tipo de trama só tem um parâmetro, nada mais é que a representação do Salvador Branco.

– Num mar de rostos negros/mulatos/índios/orientais existe uma pessoa capaz de salvar o mundo!” Damos um zoom e o escolhido é… aquele com a cara branca. –

Como pessoa, esta suposição do salvador não existiria. Como escritor, eu imaginaria desse jeito. Resolve uma série de problemas se o personagem for pré-determinado desta forma para um épico confronto final. O personagem construído dentro do molde “o único capaz” fornece a razão para o antagonista querer colocar o povo nas trevas, para o levantar das lanças e o inevitável e emocionante clímax. A mesma PORCARIA que temos visto zilhões de vezes. Vamos fazer melhor.

10. O fato de que você vai errar não é razão para não fazer

Por volta dos meus vinte anos eu decidi que gostaria de falar sobre sexismo. Eu sabia todas as palavras que queria dizer, e não disse. Um dos motivos do meu silêncio é que meu conhecimento ia até certo ponto, assumi que iria fazer alguma coisa errada, e qualquer coisa que fizesse errado seria agravada pelo fato de que eu era só um de tantos homens falando sobre sexismo. Então eu me percebi jogando comigo mesmo, um jogo mental de ironia, ego e auto percepção, totalmente sem sentido que me impedia de fazer uma coisa que sabia ser importante.

Isto é uma verdade para todos aqueles que escrevem sobre outras culturas e experiências. Você vai estragar tudo e vai ser épico. Eu sei, eu fiz isto. Não significa que não deve fazer. Significa que você deve desafiar a si mesmo a fazer melhor e melhor a cada vez, aprender com seus erros ao invés de deixar-se acovardar por eles e/ou colocar-se numa posição defensiva. Como resultado deste empreendimento se tornará um escritor melhor.

11. A Feira Livre Que é O Mercado Editorial

O cenário atual na indústria editorial ainda inclui branqueamento das capas de livros, racismo, sexismo, cis-normativas, classismo, homofobia e capacitismo (NT: preconceito contra pessoas que têm qualquer tipo de condição física debilitante ou que as torna ineptas a se adaptar aos padrões considerados socialmente “normais”: nanismo, falta de um dos membros, cegueira etc.) A maioria dos agentes e editores são brancos, e a cultura branca rege a indústria. Autores negros lutam para ter sua voz ouvida, e nas editoras que apoiam a diversidade de publicação são autores brancos que, em sua maioria, escrevem sobre personagens negros. Apropriação cultural importa neste contexto porque se trata de quem tem acesso e de quem é pago, o que vai além de problemas como construção pobre da trama ou representação desrespeitosa. Como brancos temos que compreender que, além do contexto dentro da história que escrevemos, existe um contexto social do qual nosso trabalho faz parte.

12. Já considerou o ‘POR QUÊ fazer’? E o “NÃO fazer”?

Este processo requer uma busca da alma e sentir-se desconfortável. Sem desconforto, você não cresce. Às vezes, as pessoas evitam as questões mais básicas. Por que você sente que cabe a você escrever a história de outra pessoa? Por que você tem o direito de tomar para si a voz de outro? A resposta nem sempre é não – como escritores estamos constantemente penetrando na cabeça de outras pessoas. Com muita frequência, no entanto, não paramos para considerar se é a coisa certa a fazer. Então, as vezes a resposta é mesmo não.

 

 

12 Fundamentals Of Writing “The Other” (And The Self)

http://www.buzzfeed.com/danieljoseolder/fundamentals-of-writing-the-other#.vcXPyDzw8

Daniel José Older é um escritor do Brooklyn (NY/EUA), editor e compositor, Salsa Noturna, “ghost noir colection”, foi aclamado como impressionante e original pelo  Publishers Weekly. É editor da antologia Long Hidden: Speculative Fiction from the Margins of History, e seu livro de fantasia urbana The Half Resurrection Blues, o primeiro de uma trilogia, foi lançado em janeiro deste ano pela Penguin’s Roc. Dissertações e contos de sua autoria foram publicados na  The New Haven Review, Salon, Tor, PANK, Strange Horizons, e Apex. Sua música, ponderações e aventuras de ambulância moram em ghoststar.net e @djolder.

 

 

 

Como escrevi meu conto para a Coletânea Piratas – “O Tesouro de Nossa Senhora dos Condenados”

 

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Coletânea Piratas da Editora Catavento – organizadora Karen Alvares

Este conto faz parte de um livro chamado “Na Taverna do Capitão Destroços”. A base do livro foi uma pesquisa sobre as mudanças que ocorreram depois do aparecimento dos corsários, ladrões financiados por reis e rainhas. Em todos os contos há um questionamento social referente a este período. Também adaptei várias gírias inglesas para o português e criei um pequeno dicionário que está disponível no blog.

Procurei usar sempre o mar como referência em figuras de linguagem e na própria maneira de falar dos piratas: “adernando da sua maneira de pensar”, “nome mareado” etc. Procurei saber o que comiam e bebiam, entre as bebidas a que gostei mais foi o bamboo, uma mistura de rum com água e nós moscada. O que vestiam e como os anos podem marcar o corpo das pessoas submetidas às intempéries em alto mar. E também deixar a narrativa alegre e um pouco “tonta” já que todos estavam sempre bêbados e o mundo dava voltas. Eyre Austen foi baseada em uma figura real, que liderou uma frota em companhia de sua amada.

Construí uma história bem tradicional com piratas em pernas de pau, macacos bêbados, mundo de homens e mulheres livres, fantasiosa nas palavras dos piratas, mas coberta de realidade. Os tesouros são perecíveis só o que restará no fim das nossas vidas são as aventuras que tivemos.

http://editoracatavento.com/piratas1.html

Os marujos, timoneiros e palitos embarcaram nos galeões, dirigíveis e mercado paralelo dos capitães: Karen Alvares, Melissa de Sá, Ana Lúcia Merege, João Beraldo, Paola Siviero, Fabiana Madruga, Sabrina M. Marcondes, Luana Tsuki, Albarus Andreos.

Cobaias de Lázaro – Sendo Cobaias de Nós Mesmos

 

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O professor pede aos alunos para formarem um grupo de cinco para um trabalho que inclua apresentação, cartaz de cartolina com fotos aleatórias, texto que ninguém vai ler e leitura do material pesquisado em frente de toda a classe. Reunião, com refrigerante e salgadinho, na casa do fulane. Dos cinco, só vão três. Um faz a pesquisa na internet e Ctrl+C/Ctrl+P, outro cola as fotos na cartolina e o outro fica lá só paquerando o irmão/irmã do fulano. Quando o trabalho não sobra todo para o tal fulane, porque ninguém foi na reunião. Salvo se cinco forem os nerds da escola.

Esta fórmula também pode se aplicar ao mundo do trabalho, tendo em mente que numa empresa trabalham adultos, há sempre aquele que faz ou acha que faz mais que os outros e aquele que fala que não ganha para isso. A não ser que as pessoas que compõe o staff  (não se diz grupo no ambiente corporativo, vamos gastar um pouco de inglês) sejam muito bem preparadas, bem pagas e levem o profissionalismo a sério. Sejam nerds no trabalho.

Nesta lógica, um livro em conjunto escrito por um bando de nerds iria dar certo. Só o fato de sermos nerds, no entanto, não bastaria. O que houve foi uma química perfeita, combinação de diferentes cabeças e maneiras de ver o projeto tendo como catalisador a amizade. Daquele tipo especial, que respeita as ideias do outro, sentindo segurança para criticar e ser criticado, porque sabe não vai perder um amigo só por causa de uma opinião divergente.

O Início

Um pouco antes do fim da Skynerd (rede social dos fãs do JovemNerd) um grupo de escritores que se encontrava por lá e costumava trocar textos, dar pitaco nos textos dos outros, postar desafios e informações, participar do famoso catálogo do #eberfrog, decidiu fazer um curso online de Storytelling e para trocar informações. Abrimos uma página em outra rede social.  Este grupo permaneceu unido e produtivo e em abril de 2014 alguém teve a ideia de fazer um livro com os contos da grupo.

Planejamento

A chave para todo e qualquer projeto é o planejamento. Responder as cinco perguntas.

1. Quem?

Todos somos escritores amadores, com pouca ou nenhuma experiência editorial. Melhor que todos sejam “chegados”. Aqueles que trocam figurinhas na rede, postam trabalhos etc. Depois de um rápido bate papo, enviamos convites por mensagem para esses “chegados” e marcamos a primeira reunião. Quinze aceitaram participar. Também pisamos na bola deixando de convidar gente muito boa como Rodrigo Van Kampen, Daniel Rossi, Anderson DC etc.

O público neste “Quem?” seriam nossos amigos, os amantes de livros e histórias de fantasia, ficção-científica e mistério.

2. O que?

Na nossa primeira reunião via skype, dez compareceram, definimos que não escolheríamos um tema, ele seria livre dentro dos temas que apreciamos: fantasia, ficção científica, mistério. Teríamos quinze contos, em primeira pessoa, em cada conto um protagonista, três contos seriam escritos posteriormente com base nos outros doze, tivemos dúvidas se isso poderia funcionar, mas seguimos em frente.

3. Como?

Então definimos as funções de cada um dentro do grupo. Escolhemos quatro editores que viraram cinco, uma plataforma online para que os editores pudessem revisar e dar conselhos para os autores. Delegamos responsabilidades como contabilidade, marketing e a contratação dos parceiros que precisaríamos para que  o trabalho fosse o mais profissional possível. Optamos por publicar em e-book para que os custos fossem mínimos, já que tinha gente quase sem capital. Dividimos igualmente os custos pelos participantes em parcelas mensais.

4. Quando?

Fizemos um cronograma com prazos para todas as etapas: entrega dos contos, revisão pelos editores, reuniões, montagem, elaboração dos anexos e contos chave, entrega para a leitura crítica e revisão, proposta para o capista, pagamentos etc.

5. Onde?

Sobre a questão do lançamento decidimos pensar depois, quando o trabalho estivesse pronto pois dependeria da disponibilidade de distribuição e marketing.

O Trabalho

1. Os contos

Como somos criadores, sabemos que a inspiração não é uma constante. Um dia estamos bem e escrevemos muito, outro dia não nos sentimos preparados para criar. Como seres humanos nosso comprometimento é relativo, a importância que damos aos diferentes laços que criamos: profissionais, sociais, afetivos estão sempre sobre uma balança para escolhermos o que pesa mais no momento de decidir o que fazer. Alguém iria dar para trás, ou na condição de criador ou de ser humano.

A proposta para burlar estes empecilhos foi dividir o livro em 15 partes. Não na ordem em que são apresentados no livro, esta decisão foi tomada de acordo com a análise do conjunto. Cada escolheu dois números aleatórios, 1 e 5, entre os 15. Cada número podia ser escolhido duas vezes, outro participante escolheu 1 e 7, outro mais 4 e 15. Então cada participante escreveu dois contos, mas só um foi escolhido pelos editores. Se para alguém faltasse inspiração ou comprometimento, teríamos reserva. Estratégia que funcionou muito bem, recebemos mais contos do que precisávamos e foi possível escolher e preencher as lacunas deixadas pelos desistentes. Terminamos o trabalho com dez dos quinze participantes, entre os desistentes estava aquele que lançou a ideia para o grupo.

2. Serviços Profissionais

A capista, Sil Boriani, já fazia parte do grupo, já sabíamos da sua qualidade técnica, tivemos alguns problemas na definição do que precisaríamos no contrato e da próxima vez solicitaremos também material que possa ser usado para o marketing. Fora estes detalhes burocráticos e técnicos, ficamos todos encantados durante o processo, pois à medida que o trabalho da capa avançava, Sil disponibilizava os desenhos para nossa opinião, que eram no nível “UAU”, o resultado é o que está na imagem acima.

Para leitura crítica e revisão contamos com indicações e fizemos orçamentos. Não escolhemos pelo preço e sim pela competência e tivemos a felicidade de contar com Ana Lúcia Merege como parceira. Se era competência o que queríamos, conseguimos além da conta.

3. Os valores

Captamos os valores para pagar os profissionais e outros custos ao longo de cinco meses, enquanto o trabalho era realizado, para não pesar no bolso de ninguém. Estratégia que não deu certo, as cobranças eram intermináveis, da próxima vez faremos de forma diferente.

4. Montagem

Escolhidos os contos, percebemos que eles abordavam um tema comum. “Como se o grupo tivesse uma conexão neural imperceptível” diria o fantasioso. Um dos contos se mostrou perfeito para encerrar o livro. Nos reunimos algumas vezes até ter certeza de qual ordem ficaria melhor para o desenrolar da história. Passamos para a elaboração dos contos chaves, que uniriam a história. Depois que estes ficaram prontos, foram feitos alguns adendos – textos explicativos, mas não muito, em terceira pessoa sobre o universo do livro. O que deu ao livro aquele ar de laboratório e levou a escolha do nome, “Cobaias de Lázaro”.

Dez meses

Trabalho pronto, vamos registrar na Biblioteca Nacional para garantir os direitos autorais. Novela mais longa e enrolada do que a trilogia do “Hobbit”. Greve do Ministério da Cultura, burocracia, papelada que os autores não enviam. Outra coisa que faremos diferente. Gostaríamos de ter lançado o livro no Natal, ficou para depois do Carnaval.

Dez meses, ou sete se descontarmos a greve, parece muito tempo para um livro de pouco mais de 80 páginas. Boa parte deste tempo foi gasto para avaliar se todos concordavam com as decisões tomadas pelos editores e com perguntas aos participantes sobre como deveríamos agir e o que fazer, com pesquisas e coleta de informações sobre o mercado.

Parece também muita conversa para pouco texto. Mas foi justamente a conversa e a paciência que resultaram no “Cobaias de Lázaro”. Fizemos o que queríamos, gostamos do resultado e nos dá orgulho e prazer vê-lo pronto. Foi divertido e ainda está sendo.

Principalmente: aprendemos muito durante o processo com nossos erros e acertos e vamos fazer de novo, este ano mesmo. Melhor.

Agradecimentos

A todos, sem exceção, mesmo aos desistentes.

E à nossa conexão neural invisível.

Editores, contabilistas e marketeiros

Claudia Dugim – aqui mesmo (editora, contabilista e pitaqueira)

Sérgio Suzart – https://www.facebook.com/zillianpage (editor honorário)

Giovani Arieira –  http://oarieira.blogspot.com.br/ (editor internacional)

Carlos Moffatt –  http://www.carlosmoffatt.com.br/ (editor e marketeiro)

Eber Dantas – http://www.thegeekers.com.br/ (editor e famosão)

Participantes

Eduardo Prota – http://www.infinitoslivros.com/

Guilherme Vertamatti – http://gamehall.uol.com.br/meialua/costelas-e-hidromel

Isaac Alves Moreira – https://skyisaac.wordpress.com/

Marco Antonio Febrini Jr

http://novedragoes.blogspot.com.br

http://acc.descolados.com/

Ricardo Strowitzky – sei lá, ele também não sabe, mas dá para encontrar pelo facebook, twitter, instagram, youtube etc.

Links relacionados:

LEIA o conto “Atormentando Pilar” na íntegra em:
• Wattpad: http://www.wattpad.com/…/32908377-atormentando-pilar-de…
• Widbook: http://www.widbook.com/ebook/read/atormentando-pilar

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Capas completas: Dois Lados, Duas Vidas + Piratas

Mais das aventuras de Ogumé e Timbo aqui no Piratas da Editora Catavento com organização competente da Karen Alvarez

Eu, Papel e Palavras

PARA TUDO! Como assim você ainda não aproveitou as ofertas de pré-venda da Editora Cata-vento? Sério?! Pois então, só pra deixar você com mais vontade, olha só as capas completas de Dois Lados, Duas Vidas e de Piratas!

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Clique aqui para adquirir o livro com desconto da pré-venda: R$ 19,90 + frete grátis! Confira a sinopse da obra:

“Eu sabia que você iria voltar.”

Você é capaz de perdoar? E de perdoar a si mesmo?
Vivian e Gabriel se encontram, desencontram e se perseguem por toda uma vida – ou vidas. Os dois provam intensamente o amor, a dor e o ódio. Em Alameda dos Pesadelos você conheceu a história de Vivian. Agora você pode conhecer a de Gabriel.
Nos dois contos de Dois Lados, Duas Vidas Vivian e Gabriel revelam outra parte de suas vidas.
Toda história tem dois lados. Está na hora de conhecê-los.

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Coisas que Gostei em A Torre Acima do Véu de Roberta Spindler – Ed. Giz

Sem título Como já disse das minhas resenhas, elas não são assim “resenhas” de que se possa dizer “Ah! Que resenha! Bela resenha esta”,  Deveria ter falado sobre A Torre Acima do Véu há duas semanas, pois gosto de falar dos livros assim que termino a leitura, sem problemas, este livro é bom e livros bons grudam em nossas mentes.

Li e não me lembro onde uma “crítica” sobre A Torre Acima do Véu ser quase juvenil, na minha opinião, o que não desmerece em nada o livro, ninguém precisa rotular seu público para escrever para ele, não nos dias de hoje, tenho 55 anos e adorei o livro. Primeiro por que é o tipo de livro/história que gosto, distopia urbana com protagonistas fortes e independentes. Segundo, há muitos escritores que forçam a barra nos diálogos ou nas cenas para parecerem “adultos descolados”, sem que nada seja acrescentado à história.

Gostei dos “superpoderes” que são algumas vantagens genéticas perfeitamente explicáveis tornando a história e os protagonistas reais e críveis. Beca, a menina de 20 anos, personagem principal, é uma saltadora, alguém com musculatura e força mais desenvolvidas. Os teleportadores são licença poética, a trama fica muito mais emocionante com eles.

Emoção e ação é o que há de sobra no bem escrito A Torre Acima do Véu, e não é fácil criar um mundo futurista, pós-apocalíptico, distópico. O leitor deste gênero é atento aos detalhes, esmiúça os acontecimentos e aponta suas falhas. Eu mesmo, no início do livro, apontava possíveis inconsistências, que logo se dissipavam. Passada a desconfiança inicial, a história estava lá, plena: personagens com suas vozes e características marcantes, cenários descritos para envolver a história, não suplantá-la, uma trama contagiante do começo ao fim. O que mais gostei em A Torre Acima do Véu foi:

1 – Rio-Aires, é aqui mesmo que se passa esta distopia, os personagens são latinos, parecem-se conosco, falam como nós. Fora os da Torre que são árabes.

2 – Nas entrelinhas do estilo de Roberta Spindler, ainda marcado pelos RPGs e traduções dos livros de fantasia e seus adjetivos “focadamente estranhos”, é possível ver uma escritora sensível e vigorosa, capaz de transmitir para o leitor o que o personagem sente para além da ação/cenário à sua volta.

Deixem-se envolver pela névoa de A Torre Acima do Véu de Roberta Spindler, editora Giz, 271 páginas. http://rspindler.tumblr.com/ http://www.gizeditorial.com.br/web/titulos/?book=174 imagem

Coisas que gostei em “Alameda dos Pesadelos” de Karen Alvares – Ed. Catavento

 

Alameda

Comparar livros a  coisas que agucem os sentidos como bebidas ou comidas é uma boa forma de transmitir o que sentimos ao lê-lo: vinhos, perfumes, a brisa do mar na pele.

O perfume da pessoa que amamos que resiste naquela peça de roupa e usamos para recordá-la. A folha de cheiro estranho, nem tempero, nem jasmim. O iogurte com geleia de fruta no fundo que comemos de uma vez para chegar ao docinho do final, em Alameda dos Pesadelos esse docinho talvez seja a folha de cheiro estranho ou a peça de roupa de cujo perfume só restou o de guardado.

O que vai te encontrar na Alameda dos Pesadelos são sentimentos misturados, recordações doloridas, constatações incômodas e doces revelações.

Devorei o livro em 4 dias, não lia assim tão avidamente desde o best-seller de Rafael Montes “Dias Perfeitos”, com quem gostaria de comparar o livro de Karen Alvares, os dois se completam, o que falta em um (no bom sentido) sobra no outro, mas não é esse o caso, talvez eu faça um infográfico, quando aprender a fazer um.

A história é tensa e emocionante, a linguagem de Karen Álvares é moderna e vívida. A cidade de São Paulo é o cenário desta história, no que ela tem de opressiva e caótica: o tráfego, as multidões, a correria do trabalho, moldura perfeita para a saga da protagonista Vivian e suas tribulações solitárias. Tudo no livro remete a esta solidão de alma que Vivian carrega, mesmo na companhia do atencioso pai ou quando consegue alguns momentos com o filho depois da longa jornada de trabalho. Tudo no dia a dia de Vivian é doloroso e arrastado. Impossível não gerar empatia e torcer para que as coisas deem certo.

O antagonista Gabriel costura as esgarçadas linhas do caminho de Vivian com sua obcessão. Vivian não consegue distinguir se a perseguição de Gabriel é real ou fruto de sua atormentada mente, em consequência a depressão da moça se agrava. No correr das páginas, a autora abandona  o leitor na mesma alameda e o expõe  aos mesmos pesadelos de Vivian.

Quanto ao caráter do suspense. Ao contrário do livro do Rafael, escrito em primeira pessoa, que tem o objetivo de transportar o leitor para a cabeça doentia do protagonista; o leitor espera que seu alvo se salve das garras físicas do seu sequestrador ao final – esse inesperado. No livro de Karen, em terceira pessoa, a catarse leva o leitor a partilhar a busca de Vivian para salvação de si própria.

O que mais gostei no livro de Karen é algo bem pessoal: lembrar de minha mãe e meu pai e de como eles foram importantes na minha vida, principalmente quando decidi criar meu filho sozinha.

 

https://papelepalavras.wordpress.com/author/karenalvares/

http://editoracatavento.com/alameda.html

Coisas que gostei em “O Castelo das Águias” de Ana Lúcia Merege – Ed. Draco

 

O Castelo

Eu sou uma noob com esta coisa de resenhas.

Não faço resenhas porque só leio o que gosto. Como vou criticar meu próprio gosto?! Muito eclético, diga-se. Se não gosto de algum livro, leio só um pouquinho e pronto, e para ser justa na avaliação teria que ler todo o livro. Na minha idade ninguém me obrigaria a fazer o que não quero. E sou muito dura quando critico de verdade. Ô coisa boa envelhecer! Pode-se dizer o que se pensa, sem medo de parecer ridículo. A idade vai deixando a gente cada vez mais livre, mais curvo, mais feliz, menos conformado.

Então estas linhas não são uma resenha, são pedaços de amor sobre coisas que gostei de ler recentemente. Começarei pelo que li no segundo semestre de 2014, só nacionais, e o primeiro foi  O Castelo das Águias  de Ana Lúcia Merege

 

Mais informações: http://castelodasaguias.blogspot.com.br/ – http://estantemagica.blogspot.com.br/

Este é um livro de brasileira para brasileiros, não se sente o vício de linguagem das traduções mal feitas ou dos manuais de RPG que andam transformando jovens autores em autômatos do clichê e do pleonasmo. Uma obra cuidadosa, as palavras bem colocadas não deixam dúvidas no que se quer dizer ou atrapalham o entendimento do leitor.

Anna de Bryke é uma elfa meia humana, ou vice-versa, que vai ser professora de sagas numa Escola de Magia, o Castelo das Águias, em Vrindavhan, e este é o nome mais complicado do livro, a autora teve a decência de escolher nomes simples e jogar um pouco de pó de magia e pesquisa em cima deles. Nesta escola, Anna conhece o mago Kieran, por quem se apaixona, aos poucos e discretamente, bem ao estilo e tradições da época quase renascentista onde se passa a história, o que achei uma escolha bem feliz.

Lado a lado com o romance existe um conflito político entre duas regiões no mapa deste mundo circular: dividido em quatro partes, como quatro estações, quatro pontos cardeais, quatro modos de vida. Este conflito leva à disputa pelas águias e à possibilidade de transformá-las em máquinas de guerra através da magia. Magia sem referências a Harry Potter, onde os poderes beiram a realidade, nem superficiais, nem super-fantasiosos, dose certa de coerência.

As vezes delicada, as vezes destemida, as decisões que a protagonista tem que tomar são uma alegoria para as primeiras decisões do jovem que começa a encarar a vida adulta, mesmo os de hoje, afinal não mudamos tanto assim. E o livro consegue fazer de Anna a ligação entre todos os personagens, não deixando pontas soltas e garantindo seu protagonismo.

Só gostaria que a autora tivesse explorado um pouco mais as cores, mostrasse melhor este cenário tão colorido, não consegui sentir uma ligação emocional forte ou profunda o suficiente.

E que venha o livro dois “A Ilha dos Ossos”

http://estantemagica.blogspot.com.br/2011/01/arte-do-descarte.html

http://editoradraco.com/2011/04/02/o-castelo-das-aguias-de-ana-lucia-merege-2/

A Profissão de Escritor – Dicas Para o Escritor Iniciante 13

Mortimer room

Encontrei a casa dos meus sonhos. Sempre quis um lugar só meu, onde eu pudesse construir um futuro. Paguei barato. O problema é que tem um fantasma morando lá dentro. Vou desistir? Não, vou enfrentá-lo e vencer esta batalha, mesmo que passem anos até que seu plasma se desintegre completamente.

Qualquer artista sabe o quanto pode ser demorado o sonhado “reconhecimento”. Alguns desistem de lutar, outros adiam a luta até que encontrem tempo em suas rotinas para enfrentá-la (este foi meu caso), outros tombam antes de chegar ao final de sua saga.

Inúmeros são os exemplos de escritores que chegaram ao sucesso depois de mortos. E mesmo aqueles que têm reconhecimento não têm muito dinheiro. Se você escolheu ser escritor, dinheiro deve ser sua menor preocupação. Não que a indolência deva arrebatá-lo. Tenha outros objetivos em mente na sua luta: aprimoramento, sociabilidade, amor.

Então não dá para espantar o fantasma e sobreviver? Claro que sim basta seguir estas regras:

1.  Estude – acadêmico ou não, o estudo é sempre essencial. Se optar por fazer uma faculdade, existem cursos fora do Brasil voltados exclusivamente à formação de escritores, portanto a concorrência é muito séria. Não tendo disponibilidade para fazer um curso no exterior, pode escolher entre jornalismo, letras, direito, ou outra em que a palavra escrita seja aplicada com correção. Há várias oficinas com preços módicos, oferecidas por profissionais, além de aprender você cria laços com outros aspirantes a escritores.

2.  Pratique – escreva de tudo, sobre tudo. Não se atenha somente aos livros de fantasia ou novelas policiais ou o gênero que preferir. Comente livros, faça resenhas, resumos. Escreva crônicas, contos, poesia etc.

3.  Compartilhe – encontre seu grupo e compartilhe seus conhecimentos e críticas.

4.  Siga diligentemente quanto as instruções 1, 2 e 3 antes de jogá-las fora. (Adoro Matsuo Basho, poeta e iluminado japonês)

Se você quer fazer da escrita uma profissão, não fique esperando que o fantasma venha até você, vá até ele. Trabalhe com constância. (Como já citado no Dicas para o Escritor Iniciante 2 – Método e Disciplina).

No Brasil o mercado editorial voltado à profissão de escritor ainda é muito incipiente se comparado a outros países, mas vem apresentando um nítido crescimento nos últimos anos, nos EUA e Europa circulam dezenas de revistas especializadas, os jornais têm suas colunas dirigidas a este público, muitos livros são publicados.

Recomendo um livrinho sobre a vida prática do escritor (já recomendei dois sobre teoria – Quero Ser Escritor 3).

– Você já pensou em escrever um livro? – Sonia Belloto – (está esgotado, mas a 5ª. edição virá em breve).

O escritor pode desenvolver inúmeras atividades que ao final do mês possam pagar o aluguel e a conta do supermercado. Traduções, revisões, leitura crítica, artigos para jornais, revistas e blogs, escrever textos técnicos ou publicitários, ser um escritor-fantasma etc.

Mãos à obra.