Monthly Archives: November 2013

A Força da Palavra – Dicas Para o Escritor Iniciante 17

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“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”
João 1:1-3

A Bíblia é um livro lindo, adoro Os Cantos, Os Salmos, Matheus. Quem não leu, seja por algum preconceito, ou por não acreditá-la também literatura, leia. Não sou religiosa, não tenho religião. Mas tenho certeza que sem a palavra o mundo não existiria, porque não poderíamos dizê-lo.

Como pensar o mundo sem usar palavras? A linguagem tem três funções principais: representar ideias, exteriorizar sentimentos e demonstrar vontades.

Para expressar o mundo precisamos de um vocabulário amplo, que não deixe dúvidas quanto ao que queremos dizer em relação as nossas ideias, sentimentos ou vontades. Vocabulário escasso ou usado de forma inadequada prejudica a recepção, confunde o leitor. Existem dois caminhos para adquirir vocabulário e nenhum deles é automatista. Um é a leitura, o outro a escrita. Não faz nenhum sentido decorar listas de palavras.

É preciso conhecer todos os vícios de linguagem para que não abusemos deles. Repetições, solecismos, redundância, cacofonia, arcaísmo, anfibologia. O escritor iniciante peca bastante neste quesito, não vou discorrer sobre eles, há muitas informações disponíveis.

“Adentrou o recinto, recitando a ode em forma de poema, o rei o reverenciou, seus pés ocilaram, estava aonde deveria estar.” 

Temos alguns exemplos de vícios de linguagem como o verbo adentrar no sentido de entrar, adentrar significa penetrar ou pela força ou com certa dificuldade, o mesmo vale para aonde, que não é onde, aonde implica movimento, direção. Os pés de quem oscilaram? Do poeta ou do rei? Oscilar (com s) é a melhor palavra para esta narrativa?

Utilize sempre um dicionário, ou dois, três. Um dicionário de sinônimos e outro de antônimos, faça pesquisa etimológica, estude semiótica. Aprender outro idioma ajuda a entender como o seu próprio idioma funciona, mas para o escritor é bom que ele compreenda além da oralidade, um pouco de sintaxe da língua estrangeira. Use ferramentas para aumentar seu vocabulário como pesquisar na internet o assunto sobre o qual se quer escrever e criar um banco de palavras.

Usando palavras, sejam no seu sentido denotativo ou conotativo – expressões em desuso, diga-se – precisamos de um contexto para que possam viver. Muitas delas têm tantos significados que sem o contexto não conseguiríamos definir sua função.

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Torre – edifício alto fortificado, usado antigamente para defesa na guerra

Dedo – cada uma das extensões articuladas da mão

Seguir – marchar, caminhar após.

“Torre fria do mundo, vulcão, dedo de neve que me seguiu por toda…”

Descrição do vulcão Osorno no Chile por Pablo Neruda.

Já falei no perigo de usar generalizações. Estava generalizando. Em qualquer texto mais elaborado, as duas extensões – particular e geral – se interligam e formam um conjunto, este conjunto é que dá a dimensão do que se escreve. Observe alguns desenhos, quadros ou revistas em quadrinhos, reproduza o quadro geral, depois procure descrever os detalhes.

Outro problema comum aos escritores inciantes é o excesso de adjetivos. Não são necessários adjetivos em profusão para descrever um ambiente, há outros recursos como as figuras de linguagem por exemplo.

Ela tinha uma beleza incomum. E? O que esta frase acrescenta ao retrato da personagem é absolutamente nada. Que tipo de beleza? Por que incomum?

Singularmente alta e quase sem seios, vestida de preto das botas ao lenço no pescoço, pareceria um homem, não fosse a cintura fina marcada pelo colete a definir-lhe o sexo. Os cabelos lisos desvencilhavam-se da cabeça, apontando a saída para todos os lados. Observavam-me seus profundos olhos violetas. Eu observava sua boca vermelha, sangue sobre o branco em seu rosto dividido simetricamente pelo nariz reto. Sua aparência tinha um quê de anjo saído das sombras – faltavam asas, sobravam intimidantes sorrisos. Descrição de um herói de mangá – não me lembro do nome ou da revista.

Seja claro e procure a palavra certa para expressar o que quer, a escrita traduz o som e a imagem, não copia.

 

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Diálogos e seus Dramas (ou seriam Comédias?) – Dicas Para o Escritor Iniciante – 16

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Não sou bom com diálogos//Não consigo escrever sem diálogos. Que fazer?

Alguns dos aspirantes a escritores que tenho lido se limitam a descrever um ambiente/personagem na sua forma física e criar diálogos de ação, onde os personagens decidem o que vão fazer ou deixar de fazer para solucionar um problema.

Nem uma coisa nem outra. Cenários não são contexto ou objetivo se há somente descrição de espaços, cores e formas.  Diálogos não são conversas se não há a personalidade dos protagonistas funcionando por trás deles. Para as características dos personagens há outras postagens (12 FUNDAMENTOS PARA ESCREVER O OUTRO – TRADUÇÃO DO ARTIGO DE DANIEL JOSÉ OLDERwattpad.com/139667229-quero-ser-escritor-7-conjunto-dos-personagens)

O diálogo é a transformação das conversas da simbologia oral para a simbologia escrita, ou seja, as duas simbologias são diferentes. Nossa voz tem entonação, vem acompanhada de gestos e expressões faciais – linguagem corporal. São duas linguagem que representamos nos diálogos: a corporal e a oral. A escolha das palavras que possam nos remeter não só ao que foi dito, como também ao como foi dito é muito importante. Portanto, o diálogo não é a simples reprodução do falar. Dependendo do contexto muda a escrita:

– O José está?

– O Zé tá ai?

– Você sabe onde está o José?

– Sabe do Zé?

Discurso Direto e Indireto

Temos duas maneiras de reproduzir um diálogo. No discurso direto, fazemos como acima, colocamos a barra, ou outro símbolo que indique que há uma conversa onde, antes ou depois, acrescentamos uma indicação de quem está falando e o propósito da fala. Existem inúmeros verbos que utilizamos quando queremos demonstrar o propósito da fala: dizer, falar, comentar, perguntar, responder, contar etc. Você pode utilizar verbos não tão comuns para explicar este propósito: rir, chorar, decidir etc. Em ambos os casos, devemos usar parcimônia, para não cansar o leitor com muita repetição, ou muita “originalidade”.

Observe o exemplo:

– Quando chega seu pai? – perguntou João.

– Amanhã de manhã. – respondeu Mathias.

– Depois de amanhã. – disse Pedro.

– Então vamos visitar tia Maria amanhã, está decidido – disse Cátia.

– Vamos sair cedo, às oito. – disse João.

– Já estou lá! – disse Mathias alegre.

– Quando chega seu pai? – perguntou João cabisbaixo.

– Amanhã de manhã. – respondeu Mathias.

– Depois de amanhã. – esclareceu Pedro, que confirmou a chegada do voo minutos antes.

– Então vamos visitar tia Maria amanhã, está decidido – propôs Cátia, já sabendo que a sugestão iria agradar a todos.

– Vamos sair cedo: às oito. – animou-se João.

Mathias, alegre com a possibilidade de passar mais tempo com os primos, disse:

– Já estou lá!

No discurso indireto reproduzimos em texto o que seriam as falas. No exemplo acima poderíamos escrever a última frase em discurso indireto desta forma:

“Mathias, alegre com a possibilidade de passar mais tempo com os primos disse que já estava lá.”

É preciso tomar muito cuidado com o discurso indireto, existe uma série de regras de concordância para passar a sentença de direta para indireta. Um bom treino, alguns exercícios e uma tabela, podem ajudar. O discurso indireto nos permite misturar pensamentos e falas num único parágrafo, definindo a situação psicológica do personagem num determinado momento.

No ínício de Dom Casmurro de Machado de Assis, um dos maiores escritores de todos os tempos na minha opinião, temos um pequeno diálogo entre o protagonista e um passageiro.

“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.

– Continue, disse eu acordando.

– Já acabei, murmurou ele.

– São muito bonitos.”  (Dom Casmurro, Machado de Assis)

Os que escrevem poemas – e todos escrevemos, num momento ou outro de nossas vidas: para um amor, para nós mesmos, para as estrelas – aborrecem-se como o rapaz pela atitude de Bento. Ou seja, o diálogo gerou a percepção do caráter do protagonista: taciturno, ensimesmado, vale a pena lembrar que o livro é uma confissão em primeira pessoa.

Qual as funções do diálogo?

1ª – Caráter do personagem – o escritor descreve o personagem, pode fazê-lo através de um longo parágrafo e então podemos imaginá-lo vil ou heroico, no entanto, quando este personagem interage temos exemplos do que descrevemos e a ideia torna-se mais forte e precisa.

2ª – Dramatizar – as relações entre os personagens ganham tensão e consistência.

3ª – Contar em vez de descrever – esta é uma boa ferramenta para revelar um passado, gerar expectativas, inserir um cenário.

O que não se faz com um diálogo?

Informativo – o diálogo não é pedagógico, a escrita reproduz o universo da fala, não há nada mais artificial do que um diálogo longo e descritivo. Talvez se o personagem estiver no sofá de um analista, ou um criminoso descrevendo um crime ou um arrependimento. Por exemplo, colocar um personagem descrevendo minuciosamente o funcionamento de uma máquina por linhas a fio beira o surreal.

Uniformidade – manter o mesmo tom para todos os personagens. Para reforçar o estado/caráter de um personagem, escolhemos o som das palavras, a intensidade e o comprimento das frases para o raivoso, o irônico, o romântico etc. Ao ler um livro preste atenção como os bons escritores modificam as palavras de acordo com os personagens.

Cópia – procure não copiar a realidade, se por um lado o diálogo é a boca levada aos olhos, por outro lado ele não exime o escritor da obrigação de ser criativo e mostrar ao leitor o que está nas entrelinhas.

Fora de época – Não dá para escrever como Machado de Assis, ele viveu noutra época. Traduzindo o diálogo do texto acima para os dias de hoje no metrô de São Paulo:

“- Manda ai, vai, disse eu acordando.

– Já era, murmurou ele.

– Dá hora!”

A melhor forma de melhorar nossos diálogos é ouvindo. Observe a conversa das pessoas, seus trejeitos e pontos de vista. Quem disse que ouvir o papo furado da sua vizinha não tem proveito algum?

Os Limites da Prosa ?!?!?!? – Dicas Para o Escritor Iniciante 15

Estante antiga

Este foi o tema de uma palestra que assisti na FLIP, comprei alguns ingressos para a tenda. Alguns dos debates não foram o que eu esperava: primeiro – as perguntas eram mecanicamente respondidas; segundo –  os mediadores, bancados pelos patrocinadores eram de doer; terceiro – os debatedores eram muito chatos. Mais uma razão, dava para assistir sem pagar, um calor danado e a tenda teve as laterais erguidas. Outros foram muito bons, um desses, com um título bem insano – Os Limites da Prosa, e um bom mediador.

Como bem disse Vic Moura não existe limites. Nem limites para a imaginação, nem limites para o que o papel/tela recebe (tinta, escrita, manchas e outras).

Uma faca de dois gumes, esta falta de limites!

Como ser ilimitado?

Esta é a questão. Quanto mais elaborada a prosa, mais puro e consistente se torna o estilo do autor. E quanto mais pura mais seu sentido é perdido!

Acredito que o que nos trava na hora de escrever são nossos próprios limites.

Os limites básicos – falta de leitura ou do hábito de escrever, pouco ou nenhum conhecimento estrutural.

O escritor que não domina sua própria língua se torna escravo de fórmulas prontas. Sua visão única – todas são únicas – é descrita com clichês e lugares comuns, sua identidade se perde no universo da mesmisse.

Limites Lógicos – o mundo real funciona segundo uma lógica (matemática, física, química, biológica e moral)

Perdido em explicações e descrições para justificar dentro deste mundo real, o que está dentro da imaginação, o que seria prosa fértil, torna-se compêndio do inexistente.

Limites Ideológicos – o que aprendemos como o certo, aquilo que “vale a pena ser transmitido”

Enquanto a ética nos mantém agregados e seguindo a linha da evolução física, ela nos impõe uma barreira ao novo, quebrar esta barreira não é fácil. Consiste em descobrir dentro da nossa escrita uma ética própria capaz de fazer as histórias evoluírem e corroborando ou criticando ideologicamente nossa verdade.

Limites Psicológicos – ao contrário da tela/papel à nossa frente, não somos uma página em branco.

Todas as experiências que carregamos; boas ou más, estarão presentes no que escrevemos. E isto precisa ficar claro para quem escreve. É catarse o que se busca? Redenção? O auto conhecimento pode ser um abismo sem fim ou a chave para a liberdade.

Acho que para escrever sem limites é preciso conhecer onde está esta linha e ultrapassá-la com a certeza de que quem está dentro do limite (o leitor) será capaz de nos perceber do lado de fora.

“A busca pela verdade não existe. O que existe é a jornada pela sua própria verdade e a necessidade de se aparecer desnudo” J. Banville

Roteiro e Livro – Dicas Para o Escritor Iniciante – 14

Screennwriter

Sempre que posso assisto ou ouço “Matando Robos Gigantes” . Neste show

http://jovemnerd.ig.com.br/matando-robos-gigantes/show/matando-robos-gigantes-show-09-harry-potter-piratas-e-goonies/

Os apresentadores comentaram, entre outros assuntos, sobre de quem seria a responsabilidade de adaptação de um livro para roteiro, Diogo Braga sugeriu que para a adaptação ser realmente fiel ao livro deveria estar a cargo do próprio escritor, argumento nem um pouco endossado pelo escritor Affonso Solano (O Espadachim de Carvão).

Affonso não achou boa a ideia, mas como o outro apresentador (Roberto Estrada) concordava com o Diogo Braga a discussão morreu ali mesmo. Também porque o objetivo do show não é gerar polêmicas, mas abrir espaço para pensar a respeito.

Então vamos fazer um exercício, leiam este trecho que é a única descrição de uma sala:

“Da grande janela na sala do conselho do rei voltada para o lado norte do vale, o sol poente dividia o céu em ocre abaixo e roxo acima. Em cada abóbada do teto, um urso rugia na pedra.” – O Caminho do Príncipe

Agora fechem os olhos e imaginem a sala.

Cada um de vocês deve ter imaginado de um jeito.

Com os olhos de um fã de Harry Potter o urso poderia rugir, literalmente, saindo da pedra e apontado  suas garras para quem olhasse para cima. Poderia ou não haver uma grande ou pequena mesa na sala e estantes de livros nas paredes.

Lembro-me de ter lido a descrição da casa de Sirius Black (Harry Potter) e quando assisti ao filme fiquei um pouco decepcionada com o resultado. Não deveria, estava bem legal, afinal um filme é um filme, um livro é um livro. A interação é diferente. No filme a ação se passa na tela emoldurada pelo cenário, no livro a ação se passa no cenário criado por palavras, que subliminarmente é inerente à experiência do próprio leitor.

Um escritor como George R.R. Martin, que fez a vida escrevendo roteiros, teria habilidade de escrever os roteiros para Games of Thrones e não o faz. Por quê? Ele mesmo responde:

“É muito difícil, escrevi o roteiro de um episódio “Blackwater”. Prosa e roteiro possuem diferentes técnicas e ferramentas. Num livro tem-se um monólogo interior o que permite o acesso aos pensamentos do personagem. Ele pode contar uma mentira, mas você está dentro da cabeça dele, você sabe que o personagem está mentindo. Quando você assiste, você só ouve o que ele diz – o ator tem que vender a ideia através de seus olhos e boca. Grandes atores podem fazer isso… Se você der uma olhada na “Battle of the Blackwater“ no livro, ela ocupa oito ou nove capítulos, intercalando três pontos de vista. Se você filmasse como está no livro teria custado 100 milhões de dólares e demorado dois meses para ser feito”.

No roteiro você tem o tempo da ação dramática delimitado por frações de segundos, é um trabalho de equipe para avaliar o que pode e não pode ser feito e de que maneira. O roteirista que adapta um livro precisa ser capaz tanto de captar a essência do que o leitor médio lê, quanto manter-se fiel ao contexto proposto pelo autor. O leitor médio não existe, é uma hipótese baseada em pesquisas,  portanto muita gente acha o filme pior do que o livro. E uma boa adaptação depende muito mais da qualidade do diretor e dos atores do que propriamente do cenário.

A Profissão de Escritor – Dicas Para o Escritor Iniciante 13

Mortimer room

Encontrei a casa dos meus sonhos. Sempre quis um lugar só meu, onde eu pudesse construir um futuro. Paguei barato. O problema é que tem um fantasma morando lá dentro. Vou desistir? Não, vou enfrentá-lo e vencer esta batalha, mesmo que passem anos até que seu plasma se desintegre completamente.

Qualquer artista sabe o quanto pode ser demorado o sonhado “reconhecimento”. Alguns desistem de lutar, outros adiam a luta até que encontrem tempo em suas rotinas para enfrentá-la (este foi meu caso), outros tombam antes de chegar ao final de sua saga.

Inúmeros são os exemplos de escritores que chegaram ao sucesso depois de mortos. E mesmo aqueles que têm reconhecimento não têm muito dinheiro. Se você escolheu ser escritor, dinheiro deve ser sua menor preocupação. Não que a indolência deva arrebatá-lo. Tenha outros objetivos em mente na sua luta: aprimoramento, sociabilidade, amor.

Então não dá para espantar o fantasma e sobreviver? Claro que sim basta seguir estas regras:

1.  Estude – acadêmico ou não, o estudo é sempre essencial. Se optar por fazer uma faculdade, existem cursos fora do Brasil voltados exclusivamente à formação de escritores, portanto a concorrência é muito séria. Não tendo disponibilidade para fazer um curso no exterior, pode escolher entre jornalismo, letras, direito, ou outra em que a palavra escrita seja aplicada com correção. Há várias oficinas com preços módicos, oferecidas por profissionais, além de aprender você cria laços com outros aspirantes a escritores.

2.  Pratique – escreva de tudo, sobre tudo. Não se atenha somente aos livros de fantasia ou novelas policiais ou o gênero que preferir. Comente livros, faça resenhas, resumos. Escreva crônicas, contos, poesia etc.

3.  Compartilhe – encontre seu grupo e compartilhe seus conhecimentos e críticas.

4.  Siga diligentemente quanto as instruções 1, 2 e 3 antes de jogá-las fora. (Adoro Matsuo Basho, poeta e iluminado japonês)

Se você quer fazer da escrita uma profissão, não fique esperando que o fantasma venha até você, vá até ele. Trabalhe com constância. (Como já citado no Dicas para o Escritor Iniciante 2 – Método e Disciplina).

No Brasil o mercado editorial voltado à profissão de escritor ainda é muito incipiente se comparado a outros países, mas vem apresentando um nítido crescimento nos últimos anos, nos EUA e Europa circulam dezenas de revistas especializadas, os jornais têm suas colunas dirigidas a este público, muitos livros são publicados.

Recomendo um livrinho sobre a vida prática do escritor (já recomendei dois sobre teoria – Quero Ser Escritor 3).

– Você já pensou em escrever um livro? – Sonia Belloto – (está esgotado, mas a 5ª. edição virá em breve).

O escritor pode desenvolver inúmeras atividades que ao final do mês possam pagar o aluguel e a conta do supermercado. Traduções, revisões, leitura crítica, artigos para jornais, revistas e blogs, escrever textos técnicos ou publicitários, ser um escritor-fantasma etc.

Mãos à obra.

Marketing – Dicas para o Escritor Iniciante – 12

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Como se vende banana? Na feira ou na quitanda; por dúzia, no supermercado; por quilo, do ambulante que passa na rua compra-se por unidade; na estrada, de penca. “Meu livro vendeu como banana!” – ou seja, várias estratégias foram usadas.

Se o seu livro foi publicado por uma editora tradicional, esta cuidará de seu marketing, isso não quer dizer que você vai sentar na sua sala confortavelmente e esperar pelos lucros. O contrato não permite usar a desculpa de uma gripe forte para deixar de ir àquela noite de autógrafos no dia mais frio de inverno em Lages/SC e passar horas a fio escrevendo dedicatórias, sorrindo e tirando fotos. Ou dar uma entrevista para aquele crítico literário de ‘merda’, daquele jornal que você odeia. No Facebook pessoal é bom escolher publicar gatinhos derrubando tigelas de leite do que qualquer um muito reacionário (não sigo a cartilha, pena, não consigo). A partir do momento que sua imagem se torna mais pública, sua responsabilidade aumenta.

Outra questão é que a editora tem outros escritores para cuidar, então, dependendo da liberdade que o contrato te dá, você também pode desenvolver ações de promoção da sua imagem ou da imagem do seu livro/produto.

A primeira impressão é a que fica

Quem acompanha esta série de “posts” deve ter percebido que o período entre as postagens está maior. Isto por que tive problemas com a capa do livro que estava lançando por uma independente não muito cuidadosa. Sou ansiosa por natureza e os atrasos na correção (o diagramador deve ser analfabeto) dos textos da orelha e da contra capa e o desenho da capa em si foram acompanhados de inúmeros emails e solicitações.

A capa deveria resumir a história ou o conflito principal em uma imagem. Deveria, mas não é o que acontece na maioria dos casos.

Setenta por cento dos livros são vendidos pela capa e pela leitura das orelhas. A primeira ação de marketing diz respeito a este item. Peça ajuda, chame amigos, contrate profissionais, brigue para que a capa consiga falar com o leitor.

No caso da auto publicação e das independentes o trabalho é praticamente todo seu. A responsabilidade de lançamento e divulgação são suas.

Qual o seu público alvo? Responda esta pergunta antes de seguir adiante.

Grande falácia: “Agora com a internet fica mais fácil divulgar.”

Could you grab me some cereal in your way back, please? Uma aluna ouviu este pedido da americana com quem estava morando e passou no supermercado para comprar cereal (no Brasil tem Sucrilhos e Superbom, quando tem!) e se deparou com uma prateleira gigantesca com todos os tipos de caixas!

Escolha um canal com seu perfil, procure parceiros, faça pelos outros. Vá ao Diagrama – 11 nas páginas ao lado e olhe a “borboleta” – “Trabalhar as suas verdades”. Se seu objetivo ao escrever seu livro foi vendê-lo a uma fatia promissora do mercado, mas esta fatia não é a sua verdade, desista de se fazer ouvir. Porque os ouvidos estarão em outra frequência.

Utilize todos os meios disponíveis e viabilize-os:

– Hotsite – um pouco mais do livro para ver

Booktrailer – trabalho complicado e mais caro, dependendo do que se quer, vale tanto quanto divulgar a capa na rede.

– Facebook – crie um só para o seu livro e sempre publique algo, todo dia se possível.

– Blog Pessoal – se quiser ser escritor mesmo e não divulgar só um livro é bom pensar neste meio para alcançar certa credibilidade e gerar massa crítica.

Qualquer outro em que possa contatar pessoas. Lembre-se do seu público alvo e mire.

Quando tiver a oportunidade e perceber que uma multidão está a caminho atire sem mirar mesmo.

Nunca conte com os sites de vendas para divulgá-lo, produtos novos no supermercado só vendem bem quando há uma promotora entregando amostras e falando do produto. Não dá para colocar demonstradoras nos sites de venda. Peça aos amigos que já leram o livro e gostaram para postar comentários nos sites de avaliação de livros.

Faça um lançamento legal, não precisa gastar muito. Um barzinho charmoso, uma livraria independente de um amigo, bem localizados e de fácil acesso. Chame o maior número de pessoas possível. Afinal, a menos que você seja um festeiro de carteirinha, só 30% dos convidados costumam ir aos eventos de lançamentos. Divulgue com pelo menos um mês de antecedência. Leve 30 livros que equivalem à média de vendas para um lançamento, e um laptop caso haja mais solicitações e sua editora for por demanda.

Produza brindes para entregar a seus amigos/clientes: marca-livros, bloquinhos, chaveiros/bonequinhos. O que estiver ao alcance do seu bolso. O nome do livro tem que se destacar.

Porta a porta. Não estou brincando, não. Vendedora “avon”, na boa. Se você mora numa cidade pequena, ou num bairro amistoso, este é um ótimo artifício. Quem não gosta de prestigiar sua própria comunidade? Procure os jornais e comunidades locais. Fale com as pessoas. Eu não conseguiria, mas tem gente que consegue se vender muito bem.

Pequenas livrarias, escolas, universidades

Marque um evento, dê desconto, faça uma tarde de autógrafos. “Tarde de autógrafos? Mas nem famoso eu sou?!” Para fazer uma tarde de autógrafos, você é famoso, este é o raciocínio. Fale com os professores de português das escolas/universidades – cuidado, seu livro terá que estar bem revisado!

Além do material de divulgação, brindes, folhetos, faça um banner durável e num tamanho fácil de carregar. Leve seu laptop para rodar o booktrailer.

Não pare de divulgar, nunca, até o lançamento do seu próximo livro.

Divulgue seus amigos escritores. A leitura liberta o pensamento do homem, cria uma intimidade entre os seres superior a qualquer outra arte. Esta intimidade nos transforma em irmãos.