COPO MUITO CHEIO – BLOQUEIO POR EXCESSO CRIATIVO – Dicas para o Escritor Iniciante 30 (o anterior era 29)

Copo cheio

Já conversamos sobre Bloqueio Criativo (https://claudiadu.wordpress.com/2014/03/06/a-dor-da-folha-em-branco-bloqueio-criativo/), de onde vem este monstro e como acalma-lo. Alguns amigos comentaram comigo que uma das razões do bloqueio criativo é o excesso de projetos e ideias na cabeça, eu também sofro disso as vezes. Hoje, então, vou falar sobre o excesso criativo.

Na última oficina que coordenei nós trabalhamos a criação de ideias, como faze-las surgir de qualquer coisa. Uma lembrança do passado, cadeiras empilhadas, observando pessoas no metrô, juntando referências de outras histórias. É a criação: retalhos de experiências articulados de forma única e harmônica. Quando o autor percebe isso, no entanto, as ideias parecem ganhar um volume superior ao que cabe nas prateleiras de sua mente e, pior, todas as ideias juntas urgem para ganhar vida de alguma forma ou serão enterradas umas sob as outras, desaparecendo.

É isto o que acontece, elas vão se sobrepondo, se engalfinhado para nascer e acabam perdidas, abortadas, cobertas de poeira e ficamos muito tristes com a nossa incapacidade em fazer tudo ao mesmo tempo agora. Mas e o caderninho de anotações? Vocês podem perguntar. Ele é ótimo para guardar ideias, mas as páginas vão passando e algumas vezes nem nos lembramos mais do quê e porquê anotamos aquelas linhas.

Acho que a primeira coisa a se dizer é: ESQUEÇA. Esquecer faz parte do processo, se a ideia era realmente boa, você irá recupera-la e conseguirá se lembrar dela. Se a ideia não tiver que acontecer não acontecerá, outras tomarão seu lugar. Feito isso, livramo-nos da neura, mas não nos livramos dos quatro, cinco, seis projetos que temos em mente para produzir.

Priorizar dá certo¿

Colocar em ordem de importância o que vamos fazer dá certo. Sim, na maioria das vezes. O que costuma não dar certo é o motivo da priorização. A nossa linha de produção criativa precisa ter uma razão além do querer. Esta linha depende do que almejamos quando escrevemos. Escrever para nós mesmos e para o nosso deleite sem pensar se iremos ser lidos ou não, este é o objetivo, então o querer é o determinante ideal para a prioridade. No entanto, a maioria das pessoas sãs escreve para ser lida.

Para estabelecer uma prioridade precisamos pesar a importância das variáveis.

Se você é um escritor amador ou principiante que escolheu o caminho mais difícil e o mais certo para se guiar na profissão – fazer cursos e se aprimorar, trocar ideias com seus iguais e participar de concursos para ter um destaque neste meio bastante competitivo – a sua prioridade precisa estar de acordo com os prazos e conteúdos dos concursos e com o perfil das editoras que você está buscando.

Vai escrever uma saga em três volumes, não tenha outras ideias pelos próximos anos. Dedique-se a organizar as ideias que coletou dentro da sua saga. Não tem jeito de unir aquela determinada ideia à saga? Guarde-a para depois ou faça um conto dentro do mesmo universo. É possível trabalhar mais de um projeto ao mesmo tempo, depende do quão flexível é o autor e da profundidade de sentimento envolvido na construção de seu universo.

Faça um quadro de projetos. Um rascunho, folhas de caderno. Dê notas de um a cinco, pontos positivos ou qualquer tipo de marcação para aspectos como: sua vontade de escrever sobre aquele tema; a relevância que este projeto tem para você e para o seu público alvo; a quantidade de informação que deverá ser coletada para fazer o projeto e se essa parte da pesquisa te atrai; seria interessante para as editoras e está dentro do perfil daquelas que você tem buscado e por fim avalie os prazos de produção, caso vá participar de algum concurso. Nem precisa somar as notas e os pontos positivos, já vai dar para ter uma ideia do que você pode descartar por este momento e ao que se dedicar só por ter pensado sobre.

Usando como exemplo o meu quadro de produção, tenho dois projetos para serem entregues até o final do ano, estes são os prioritários pois têm prazos e envolvem pesquisa, um deles massiva. Um projeto terminado que precisa de atenção para revisão, ou seja, o grosso da criação terminou, precisa aparar as arestas então é mais suave. Um projeto em desenvolvimento, já com começo, meio e fim prontos na fase de pós primeira revisão e primeira reescrita. Por fim um que faço por diversão, nas horas em que a cabeça pesa, mas que quero acabar. Outros dois projetos estão esperando na fila quando acabar pelo menos dois dos citados.

Colocar prazos para si mesmo ajuda muito a não engavetar ideias que foram entendidas como válidas e importantes nos aspectos citados. Não se preocupe se tiver que adiar seus prazos, o que geralmente acontece, você não é uma empresa, mas precisa se entender como um profissional. Encher seu copo com doses de prazer e responsabilidade tomando cuidado para não transbordar.

Se você é uma pessoa que faz só um projeto por vez, sinta-se invejado.

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COISAS QUE AMEI EM BALL JOINTED ALICE DA PRISCILLA MATSUMOTO

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Já havia lido um conto da Priscilla Matsumoto, O Reflexo do Dokkaebi – Boys Love, e gostado do modo como ela dialogava com a psique de seus personagens. Estava empolgada para ler o livro. E agora, livro lido, não estou querendo mais história, a história está completa, cheia e tão bem alojada dentro de mim que vai levar um tempo até poder ler algumas das outras que me esperam na estante. Já abri uns três livros e não consigo passar da primeira página ao perceber que falta o artista por trás das letras. Não são livros ruins, Priscilla é que é boa demais. Vou ainda chorar um pouco o vazio de Frank, por dentro, embaixo da cama, no escuro.

O mundo espelhado por Frank, que não consegue se enxergar, me lembrou um livro da minha adolescência, no final dos 70, chamado Sybil, história real de uma garota abusada na infância que desenvolveu 16 personalidades diferentes. Frank é obcecado por sexo e por caos, coloca obstáculos a todo tipo de amor recebido, enquanto do outro lado do espelho ele é completamente apaixonado por pessoas que estão fora de seu alcance: artificiais, mortas ou lésbicas e eventualmente um gay mais deprimido do que ele.

Não se engane pelo que disse até agora pensando que se trata de um relato introspectivo e denso difícil de ler. Não é. Ball Jointed Alice é um livro de ação, personagens que parecem saídos de um mangá muito louco. A violenta e irracional Emi, traficante que guarda um arsenal em casa, Tay a estilista voluptuosa, misto de pin-up e Mortícia Adams, Shin, o japônes lindão gay, o único “normal” do grupo, alheio ao que acontece quando as coisas ficam feias. E elas ficam muito feias, quando Emi decide usar seu arsenal para explodir o hospício de onde todos fugiram e “contrata” Frank para criar um exército de bonecas Alice.

E sobre Alice, a boneca que dá nome ao livro? Ela é a linha que costura o rasgado Frank novamente, que vai busca-lo no poço onde ele caiu e o resgata da Rainha de Copas. Só chegando ao fim do livro para perceber quem é Alice.

Melhor coisa de Ball Jointed Alice é a interpretação do leitor, os quatro parágrafos acima foram a minha leitura da história, a partir de experiências, do entendimento pessoal das referências de livros, a Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, a Sybil etc e dos mangás japoneses e coreanos. Alguém que nunca leu Alice (difícil achar quem não, mas vai que) leia primeiro, depois jogue-se no poço de Ball Jointed Alice e morda o biscoito do mundo conturbado e louco de Frank.

Ainda hoje de manhã me perguntei se Frank não era só um espelho.

Onde encontrar: no site da Editora Draco: http://editoradraco.com

 

Colar de Pérolas – Coletâneas de Fantasia e Ficção Científica

Coletâneas

Parece uma opção preguiçosa ler um conto de fantasia ou ficção científica nesta época em que as Trilogias, Quadrilogias, e Semfimlogias com seus volumes de mais de 400 páginas prosperam, levando fãs e seguidores a comprarem belos livros que além de entreter por longo tempo ficam lindos lado a lado nas estantes. Guerra dos Tronos, O Nome do Vento, Mitsborn, Jogos Vorazes, Deuses de Dois Mundos etc ocupam espaço na mídia especializada, nos expositores das livrarias, em redes sociais e no imaginário dos leitores que querem mais tempo dentro destes mundos. Quando a saga acaba (quando acaba), para superar a frustração, releem, escrevem fan-fics, formam grupos de fãs para trocar impressões e prolongar a sensação de pertencer a um universo paralelo, antigo, místico, distópico ou tudo isso misturado.

Se compararmos as raízes que se criam no imaginário do leitor através destas sagas, torna-se quase ridículo achar uma justificativa para ler um conto, cuja construção econômica não permitirá ao leitor passear pelos mundos, pesquisar os mapas e fazer parte de um clã. A história concentrada do conto poder ter algumas páginas ou só uma linha ou duas e parece não ser tão rica e atrativa, numa coletânea de contos quando um mundo acaba outro começa não dando tempo para a digestão do primeiro.

Sair da zona de conforto, esse é um bom motivo, crescer e ampliar o gosto pela leitura. Experimentar um universo além das suas paisagens e culturas complexas, o conto é o detalhe da relação do personagem com seu mundo e provoca imediata empatia, quando bem escrito. Num livro eu posso acompanhar a saga do herói, de sua insignificância ao seu sucesso, ou o contrário. Num conto eu me aproprio de sua vida, descubro seus sentimentos mais profundos num desafio instantâneo e único.

Escritores como Clarice Lispector e Dalton Trevisan fizeram nos contos suas obras primas, assim como o mestre Júlio Cortázar.  George R. R. Martin é um grande fã de coletâneas e coloca seu nome embaixo de algumas delas no estilo Wild Cards e participa de outras como Ruas Estranhas ao lado de autores aclamados. Alguns dos melhores trabalhos de ficção científica nacional atual estão na área dos contos, Carlos Orsi, Roberta Spindler, Gerson Lodi Ribeiro.

Então, o motivo principal para se ler coletâneas são as pérolas. As obras primas dentro da concha, incrustradas na pedra entre as outras. É preciso abrir para acha-las, mas compensa o esforço encontrar entre umas poucas cascas vazias aquela peça de valor inestimável, cultivada por anos de trabalho duro, fruto de uma centelha de inspiração. Brilhante e único, que não poderia ser uma saga, um livro, pois seu poder é tão concentrado que implodiria.

Indicações prestigiando o nacional/português

Para quem não é muito fã de contos, porque só leu na escola (foi obrigado), do amigo aspirante a escritor amador ou fan-fics. Há excelentes experiências gratuitas em revistas especializadas: Revista Bang, Trasgo, Black Rocket e Black Magic, Contos Sonoros do blog Meia Lua Para Frente e Soco, o podcast A Voz de Delirium (noveletas fantásticas em forma de jornal) e muitos outros.

Para quem quer se arriscar e surpreender-se há várias coletâneas interessantes nesta área. Se você é principiante evite as que tem contos demais, mais de 30, vai ficar difícil garimpar. Entre as coletâneas com até 20 contos estão: as da Draco (as melhores): Space Ópera, Excalibur, Samurais x Ninjas, Monstros Gigantes, Boys Love etc. A Buriti, a Cata-vento, a Aquário são editoras que também oferecem coletâneas de ficção científica e fantasia.

Você também pode garimpar por contos de autores já publicados na Amazon e pagar baratinho, mas nada como a experiência de vê-los lado a lado dentro de um único volume.

Como escrevi meu conto para a Coletânea Piratas – “O Tesouro de Nossa Senhora dos Condenados”

 

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Coletânea Piratas da Editora Catavento – organizadora Karen Alvares

Este conto faz parte de um livro chamado “Na Taverna do Capitão Destroços”. A base do livro foi uma pesquisa sobre as mudanças que ocorreram depois do aparecimento dos corsários, ladrões financiados por reis e rainhas. Em todos os contos há um questionamento social referente a este período. Também adaptei várias gírias inglesas para o português e criei um pequeno dicionário que está disponível no blog.

Procurei usar sempre o mar como referência em figuras de linguagem e na própria maneira de falar dos piratas: “adernando da sua maneira de pensar”, “nome mareado” etc. Procurei saber o que comiam e bebiam, entre as bebidas a que gostei mais foi o bamboo, uma mistura de rum com água e nós moscada. O que vestiam e como os anos podem marcar o corpo das pessoas submetidas às intempéries em alto mar. E também deixar a narrativa alegre e um pouco “tonta” já que todos estavam sempre bêbados e o mundo dava voltas. Eyre Austen foi baseada em uma figura real, que liderou uma frota em companhia de sua amada.

Construí uma história bem tradicional com piratas em pernas de pau, macacos bêbados, mundo de homens e mulheres livres, fantasiosa nas palavras dos piratas, mas coberta de realidade. Os tesouros são perecíveis só o que restará no fim das nossas vidas são as aventuras que tivemos.

http://editoracatavento.com/piratas1.html

Os marujos, timoneiros e palitos embarcaram nos galeões, dirigíveis e mercado paralelo dos capitães: Karen Alvares, Melissa de Sá, Ana Lúcia Merege, João Beraldo, Paola Siviero, Fabiana Madruga, Sabrina M. Marcondes, Luana Tsuki, Albarus Andreos.

DICAS PARA O ESCRITOR INICIANTE 30 (acho) – BOLACHA RECHEADA DE PARÁGRAFOS

Vamos comparar o texto/livro a um pacote de bolachas recheadas (você pode substituir a palavra bolacha por biscoito).

Compramos o pacote pela capa, aquelas bolachas “photoshopadas” que parecem crocantes com recheio cremoso, escolhemos o sabor, eu leio um pouco o rótulo como as pessoas leem as orelhas e as resenhas dos livros.

Podemos dizer que a embalagem é a introdução do texto, o que podemos esperar da narrativa. A primeira bolacha é os parágrafos iniciais e irá nos dizer se gostamos ou não do estilo do autor. Lambemos o recheio e sentimos se o texto tem um bom conteúdo, é docinho e desliza na ideia, conseguimos sentir o gosto. Se é mole demais e desmancha muito rápido na boca. Se oferece pouca ligação, na hora da lambida ele se desgruda todo ou mesmo cheio de gordura, mas sem sabor nenhum. A embalagem dizia que o recheio era sabor limão e não sentimos nem o doce do açúcar, nem o ácido da fruta. Se estamos com fome, estamos acostumados a comer qualquer coisa ou se nos delicia vamos até o fim do pacote de uma vez sem arrependimentos.

Regra geral para se comer bolacha recheada: separe as duas metades, lamba o recheio, coma as duas metades. Regra geral da construção de parágrafos. Ideia central ou nuclear vem primeiro, ideias secundárias, que envolvem ou explicam decorrem da ideia central. Há outras maneiras de comer bolacha recheada, mas esta é a básica.

Vou usar uma frase que acabo de discutir com o amigo Giovani Arieira, para explicar o conceito de ideia central:

Ele escreveu:

A escuridão foi rompida por uma lâmpada acesa no canto da sala que iluminava só uma parte do ambiente oposta ao que Gregor se encontrava.

O mais importante nesta sentença é a luz, assim como nas subsequentes protagonista enxerga o ambiente. Mencionar Gregor pelo nome sendo ele o único personagem da trama é gordura desnecessária que tira um pouco o sabor . Reescrita ficou assim:

A luz intensa de uma lâmpada suspensa rompeu a escuridão, iluminando apenas o lado oposto à porta. (o protagonista havia entrado na sala no parágrafo anterior).

Eu gosto de comer as bolachas inteiras, sem separar, conheço quem come as partes e deixa o recheio e outros que raspam o recheio com faca para comer depois. A apresentação de um parágrafo é tão relativa quanto o modo de se comer uma bolacha recheada. Depende do assunto, da complexidade, do gênero, do público leitor etc.

O autor, no entanto, precisa saber gerir os recursos de expressão e desenvolvimento da ideia começando pelo básico.Não existe liberdade sem que se saiba onde estão as amarras que nos prendem, por isso precisamos conhecer e estudar a estrutura das frases e parágrafos para que elas não nos limitem. Um parágrafo mal construído pode sugerir ao leitor desordem de raciocínio, falta de unidade ou objetividade, acabando por enjoar e desinteressar.

Nos livros de técnicas literárias aprendemos que o parágrafo é uma unidade de composição que representa um processo completo de raciocínio dentro da ideia principal. Ou seja, o ponto central e seus contornos, o recheio e suas duas metades. Até que aparece alguém como Roberto Bolaños (não é o Chaves, pois ele gostava de churros não de bolachas) e escreve “Noturno do Chile”, um livro de 120 páginas, com somente dois parágrafos, um que ocupa quase todo o livro e outro com 8 palavras! Não significa que o autor não domina a construção do texto, significa que ele se sente tão livre que pode fazer o que bem quiser que o texto continuará tendo unidade. Muitos consideram “Noturno” sua obra-prima.

Então podemos concluir que a extensão do parágrafo é menos importante do que a coesão com o conteúdo da ideia principal.

De uma forma bem rasteira podemos dizer que o parágrafo tem que ter:

  1. Uma ideia central e principal que puxa o texto e ocupa dois ou três períodos curtos,
  2. O desenvolvimento ou explicação da ideia e
  3. Uma conclusão ou ligação para o próximo parágrafo.

“ 1- Naquela manhã perdi toda a esperança de encontrar Madalena, pois ela havia partido, de forma definitiva. 2 – A nave em que ela embarcou tinha um destino bem diferente da minha, o tempo em que ficaria em estado de suspensão, muito mais longo que o meu. 3 – Percebi que não há está coisa de destino traçado, duas metades da mesma laranja, par perfeito. Se houver o que podemos chamar de para sempre, não se aplicava a mim e a ela.”

 

Desdobramento da ideia em parágrafos

 

Recurso comum e eficiente é desdobrar uma ideia mais complexa em alguns parágrafos. Argumentar sobre ela, narrar um incidente que a explique, descrever o quadro geral, respondendo perguntas sobre o quê, quando, onde, para quem, por quê.

Trecho de O Homem Sintético de Theodore Sturgeon

“Livrou-se da embriaguez. O alcoolismo não é uma doença, mas um sintoma. Há duas maneiras de liquidar o alcoolismo. Uma é curar a causa. A outra é substituí-lo por outro sintoma. Foi esse o caminho escolhido por Pierre Monetre.

Escolheu desprezar os homens que o liquidaram e acabou desprezando o resto da humanidade, porque estava muito próxima daqueles homens.

Gozava com esse desprezo. Erigiu um pedestal de ódio e encarapitou-se nele para escarnecer da humanidade. Isso era, naquela época, a única coisa que o satisfazia. Ao mesmo tempo, morria de fome; mas, como os ricos eram a única coisa que tinha valor para o mundo do qual zombava, gozou também sua pobreza. Por algum tempo.”

Nestes três parágrafos o autor demonstra a passagem do estado de alcoólatra desiludido para sociopata lunático do personagem.

No primeiro ele diz do raciocínio de Pierre para abandonar o alcoolismo.

No segundo, onde ele aplicou esse raciocínio.

No terceiro, o como.

Abra um livro qualquer, um bom livro, escrito por um autor renomado, daqueles que tanto o público quanto a crítica gostam. Também pode ser um escritor profissional como Jay Bonansinga, responsável pela adaptação de The Walking Dead para romance, ou Timothy Zahn que adaptou Star Wars. Dê uma boa olhada na construção dos parágrafos e na sua disposição. Na próxima história que escrever pratique o que aprendeu com suas leituras e veja o quanto sua história ganha em clareza, coerência e principalmente: sabor.

Chappie

Filmes do Blomkamp são sempre ótimas escolhas.

Metacrônica

Chappie é um filme de ficção futurista. O mais novo filme do diretor Neil Bloomkamp, responsável pelo premiado Distrito 9. O filme conta a estória de Chappie, um robô rejeitado pelo fábrica robótica que acaba sendo “adotado” por um gêniozinho da informática; imbuído do desejo de torna-lo “vivo” ele instala uma inteligência artificial que deixa o robô capaz de pensar e sentir. Chappie é criado como uma criança, aprende muita coisa, mas acaba despertando a fúria de pessoas que não aceitam que uma máquina possa assemelhar-se ao ser humano. Chappie vai conhecer os dois lados da humanidade e precisará usar todas as suas habilidades para “sobreviver”.

Um ótimo exemplar do gênero Sci-fi, Chappie tem todos os elementos necessário para debater o futuro das máquinas e sua relação com a humanidade; e, as competentes atuações de Sigourney Weaver, Dev Patel, Hugh Jackman e Sharlto Copley, que dá voz ao robozinho…

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8 Passos Para Escrever Seu Livro – Dicas Para o Escritor Iniciante 28

The_Writer_by_petebritney1 – Ideia

Nem sempre a ideia é a primeira a se intrometer em nossos pensamentos quando decidimos escrever. Na verdade ela é uma derivada e aparece quando expostos a informações diversas: uma foto, um desenho, um cartaz, uma situação cotidiana ou a confluência de experiências que adquirimos em livros, em fatos por vivência ou presença.

A ideia propriamente original não existe. O que existe é essa derivação que é combinada pelo escritor de uma forma singular.

Portanto, mais importante que o ineditismo da ideia é a capacidade do escritor de elaborá-la.

2 – Invenção

A ideia é um embrião, a invenção a gestação. Dar forma àquilo que ainda nem sabemos o que é exatamente. O que queremos contar? Com que propósito? Que forma terá?

Quanto mais longo é este período de invenção, mais seguro o escritor estará para colocar no papel. No entanto, adiar não significa não pensar sobre. Esta gestação precisa de trabalho e prazo, para que a ideia não se perca nos meandros dos pensamentos.

Trabalho é pesquisa e o desenvolvimentos de padrões. Todos os dias acrescentando um “gen” a mais no corpo do assunto, até que esteja pronto para ser parido.

Não quer dizer que esta ideia deva ocupar o lugar de tudo, o subconsciente vai fazer a parte dele enquanto o escritor se dedica a outras atividades.

Já abordei o tema do bloqueio criativo. (https://claudiadu.wordpress.com/2014/03/06/a-dor-da-folha-em-branco-bloqueio-criativo/) Quando o tema é bem “inventado”, o bloqueio criativo quase não acontece.

3 – Plano

Seja qual for o modo como produz (https://claudiadu.wordpress.com/2014/01/31/deixar-rolar-o-planejamento-do-enredo-dicas-para-o-escritor-iniciante-23/) o mais importante é ter em mente que as linhas não podem estar soltas. E não digo amarradas só em termos de causa-consequência narrativa, como o personagem que aparece num capítulo qualquer entregando uma encomenda que terá relação direta com o que acontece num capítulo adiante. Existem outros modos de contar uma história e nesta fase poderemos brincar de montá-la com outros elementos, desde que esses elementos enriqueçam a trama e não dispersem a ideia geradora.

Este precisa de personagens principais e secundários que se complementam, cenários que querem dizer algo para a trama, vocabulário específico para o gênero e o local da ação, definidos na fase de invenção e engendrados dentro do plano.

4 – O Rascunho

As primeiras páginas do texto parecem duras, o escritor já começou seu trabalho efetivamente, mas ele anda com pernas bambas e sem segurança, por mais apoios que sejam fornecidos ao longo das etapas anteriores. Então nos entregamos as ideias e deixamos fluir nossa verve criativa.

Algumas vezes partes ou capítulos do meio da história surgem em nossa mente e desejamos dar-lhes forma o quanto antes. Faça assim mesmo.

Neste momento não se preocupe quanto a forma, crie intimidade com a história, com os personagens, permita-se viver no seu mundo.

Passados alguns capítulos, releia e aproveite somente as partes que realmente ficaram boas. Jogue o resto fora e recomece.

A sua história já vive sem você, ela já é real. Como o desenhista que risca o papel no primeiro esboço e praticamente apaga todas as linhas da versão original, assim também é o escritor.

5 – A Evocação

O escritor tem outras atividades além de escrever aquele projeto específico. Ele trabalha para o seu sustento já que são raros os escritores que vivem de escrever. Participa de concursos literários e desenvolve outros projetos. Escreve para blogs, faz marketing do livro anterior etc.

Há muitas distrações hoje em dia que tomam parte do consciente. Em algum momento será preciso uma pausa para escrever o projeto, então ele deverá ser evocado para que a escrita se desenvolva.

Volte ao esboço, ou ao retrato meio acabado e o contemple. Leia os capítulos anteriores ou os relativos à parte que irá se dedicar a escrever, concentre-se no plano e chame a história à sua presença. Lembre-se das vozes e da importância de seus personagens e do ambiente no qual eles vivem ou irão atuar.

Então deixe que as palavras fluam com a inspiração, ou quase.

6 – A Revisão

Durante o processo de evocação, quando da leitura dos capítulos já escritos, é possível revisar erros e reconstruir alguma passagem que não ficou clara ou adequada. No entanto, a melhor revisão será aquela em que certo tempo tenha se passado desde a leitura dos capítulos.

A mente acostumada prega peças ao cérebro do escritor, então ao nos distanciarmos do livro poderemos ver com mais clareza as imperfeições. Uma incoerência aqui, um excesso de adjetivos ali, uma falha na sintaxe que fez com que o objeto naquela determinada passagem fosse mais importante que o protagonista e deveria ser o inverso etc.

Nenhuma destas revisões esporádicas elimina a necessidade de leitores beta, leitura crítica ou revisão e copidesque que serão realizadas depois da obra pronta.

7 – O questionamento

No decorrer do processo talvez o escritor tenha mudado o rumo da história, optado por inverter a sequência dos fatos, narrar o que seria previamente um diálogo ou vice-versa.

É interessante tomar nota destas alterações no plano original e observar se o efeito foi melhor.

Durante o questionamento o escritor pode optar por reescrever alguma parte de forma diferente e comparar as duas. Analisar se a quantidade de informação é suficiente para o clima que se quer criar, nem exagerada, nem escassa.

Questionar-se é parte do processo criativo, a falta de um questionamento reduz o que escrevemos ao lugar comum.

8 – Conclusão

O capítulo final tem a mesma importância do inicial, mas muitos autores não se dão ao trabalho de revisitá-lo e interrogá-lo. Dois são os principais motivos:

1 – O autor adia a conclusão por não querer se desvencilhar da obra, está apegado demais. E quando finalmente termina, não tem coragem de olhar para o que “matou” seu projeto, o último capítulo.

2 – Do lado oposto temos o autor que quer chegar ao final da trama com tanta gana que se esquece de tecer bem as linhas. Ou o trabalho foi exaustivo e complexo e ele não vê a hora de dar o último nó.

As soluções estão nos tópicos anteriores: rascunhar, jogar fora, evocar e escrever, esperar, revisar e questionar.

Muito se fala do começo do livro, que é ele que cativa o leitor. O final do livro pede ao leitor que ele indique a outra pessoa na esperança de compartilhar a emoção que sentiu ao terminá-lo.

Cobaias de Lázaro – Sendo Cobaias de Nós Mesmos

 

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O professor pede aos alunos para formarem um grupo de cinco para um trabalho que inclua apresentação, cartaz de cartolina com fotos aleatórias, texto que ninguém vai ler e leitura do material pesquisado em frente de toda a classe. Reunião, com refrigerante e salgadinho, na casa do fulane. Dos cinco, só vão três. Um faz a pesquisa na internet e Ctrl+C/Ctrl+P, outro cola as fotos na cartolina e o outro fica lá só paquerando o irmão/irmã do fulano. Quando o trabalho não sobra todo para o tal fulane, porque ninguém foi na reunião. Salvo se cinco forem os nerds da escola.

Esta fórmula também pode se aplicar ao mundo do trabalho, tendo em mente que numa empresa trabalham adultos, há sempre aquele que faz ou acha que faz mais que os outros e aquele que fala que não ganha para isso. A não ser que as pessoas que compõe o staff  (não se diz grupo no ambiente corporativo, vamos gastar um pouco de inglês) sejam muito bem preparadas, bem pagas e levem o profissionalismo a sério. Sejam nerds no trabalho.

Nesta lógica, um livro em conjunto escrito por um bando de nerds iria dar certo. Só o fato de sermos nerds, no entanto, não bastaria. O que houve foi uma química perfeita, combinação de diferentes cabeças e maneiras de ver o projeto tendo como catalisador a amizade. Daquele tipo especial, que respeita as ideias do outro, sentindo segurança para criticar e ser criticado, porque sabe não vai perder um amigo só por causa de uma opinião divergente.

O Início

Um pouco antes do fim da Skynerd (rede social dos fãs do JovemNerd) um grupo de escritores que se encontrava por lá e costumava trocar textos, dar pitaco nos textos dos outros, postar desafios e informações, participar do famoso catálogo do #eberfrog, decidiu fazer um curso online de Storytelling e para trocar informações. Abrimos uma página em outra rede social.  Este grupo permaneceu unido e produtivo e em abril de 2014 alguém teve a ideia de fazer um livro com os contos da grupo.

Planejamento

A chave para todo e qualquer projeto é o planejamento. Responder as cinco perguntas.

1. Quem?

Todos somos escritores amadores, com pouca ou nenhuma experiência editorial. Melhor que todos sejam “chegados”. Aqueles que trocam figurinhas na rede, postam trabalhos etc. Depois de um rápido bate papo, enviamos convites por mensagem para esses “chegados” e marcamos a primeira reunião. Quinze aceitaram participar. Também pisamos na bola deixando de convidar gente muito boa como Rodrigo Van Kampen, Daniel Rossi, Anderson DC etc.

O público neste “Quem?” seriam nossos amigos, os amantes de livros e histórias de fantasia, ficção-científica e mistério.

2. O que?

Na nossa primeira reunião via skype, dez compareceram, definimos que não escolheríamos um tema, ele seria livre dentro dos temas que apreciamos: fantasia, ficção científica, mistério. Teríamos quinze contos, em primeira pessoa, em cada conto um protagonista, três contos seriam escritos posteriormente com base nos outros doze, tivemos dúvidas se isso poderia funcionar, mas seguimos em frente.

3. Como?

Então definimos as funções de cada um dentro do grupo. Escolhemos quatro editores que viraram cinco, uma plataforma online para que os editores pudessem revisar e dar conselhos para os autores. Delegamos responsabilidades como contabilidade, marketing e a contratação dos parceiros que precisaríamos para que  o trabalho fosse o mais profissional possível. Optamos por publicar em e-book para que os custos fossem mínimos, já que tinha gente quase sem capital. Dividimos igualmente os custos pelos participantes em parcelas mensais.

4. Quando?

Fizemos um cronograma com prazos para todas as etapas: entrega dos contos, revisão pelos editores, reuniões, montagem, elaboração dos anexos e contos chave, entrega para a leitura crítica e revisão, proposta para o capista, pagamentos etc.

5. Onde?

Sobre a questão do lançamento decidimos pensar depois, quando o trabalho estivesse pronto pois dependeria da disponibilidade de distribuição e marketing.

O Trabalho

1. Os contos

Como somos criadores, sabemos que a inspiração não é uma constante. Um dia estamos bem e escrevemos muito, outro dia não nos sentimos preparados para criar. Como seres humanos nosso comprometimento é relativo, a importância que damos aos diferentes laços que criamos: profissionais, sociais, afetivos estão sempre sobre uma balança para escolhermos o que pesa mais no momento de decidir o que fazer. Alguém iria dar para trás, ou na condição de criador ou de ser humano.

A proposta para burlar estes empecilhos foi dividir o livro em 15 partes. Não na ordem em que são apresentados no livro, esta decisão foi tomada de acordo com a análise do conjunto. Cada escolheu dois números aleatórios, 1 e 5, entre os 15. Cada número podia ser escolhido duas vezes, outro participante escolheu 1 e 7, outro mais 4 e 15. Então cada participante escreveu dois contos, mas só um foi escolhido pelos editores. Se para alguém faltasse inspiração ou comprometimento, teríamos reserva. Estratégia que funcionou muito bem, recebemos mais contos do que precisávamos e foi possível escolher e preencher as lacunas deixadas pelos desistentes. Terminamos o trabalho com dez dos quinze participantes, entre os desistentes estava aquele que lançou a ideia para o grupo.

2. Serviços Profissionais

A capista, Sil Boriani, já fazia parte do grupo, já sabíamos da sua qualidade técnica, tivemos alguns problemas na definição do que precisaríamos no contrato e da próxima vez solicitaremos também material que possa ser usado para o marketing. Fora estes detalhes burocráticos e técnicos, ficamos todos encantados durante o processo, pois à medida que o trabalho da capa avançava, Sil disponibilizava os desenhos para nossa opinião, que eram no nível “UAU”, o resultado é o que está na imagem acima.

Para leitura crítica e revisão contamos com indicações e fizemos orçamentos. Não escolhemos pelo preço e sim pela competência e tivemos a felicidade de contar com Ana Lúcia Merege como parceira. Se era competência o que queríamos, conseguimos além da conta.

3. Os valores

Captamos os valores para pagar os profissionais e outros custos ao longo de cinco meses, enquanto o trabalho era realizado, para não pesar no bolso de ninguém. Estratégia que não deu certo, as cobranças eram intermináveis, da próxima vez faremos de forma diferente.

4. Montagem

Escolhidos os contos, percebemos que eles abordavam um tema comum. “Como se o grupo tivesse uma conexão neural imperceptível” diria o fantasioso. Um dos contos se mostrou perfeito para encerrar o livro. Nos reunimos algumas vezes até ter certeza de qual ordem ficaria melhor para o desenrolar da história. Passamos para a elaboração dos contos chaves, que uniriam a história. Depois que estes ficaram prontos, foram feitos alguns adendos – textos explicativos, mas não muito, em terceira pessoa sobre o universo do livro. O que deu ao livro aquele ar de laboratório e levou a escolha do nome, “Cobaias de Lázaro”.

Dez meses

Trabalho pronto, vamos registrar na Biblioteca Nacional para garantir os direitos autorais. Novela mais longa e enrolada do que a trilogia do “Hobbit”. Greve do Ministério da Cultura, burocracia, papelada que os autores não enviam. Outra coisa que faremos diferente. Gostaríamos de ter lançado o livro no Natal, ficou para depois do Carnaval.

Dez meses, ou sete se descontarmos a greve, parece muito tempo para um livro de pouco mais de 80 páginas. Boa parte deste tempo foi gasto para avaliar se todos concordavam com as decisões tomadas pelos editores e com perguntas aos participantes sobre como deveríamos agir e o que fazer, com pesquisas e coleta de informações sobre o mercado.

Parece também muita conversa para pouco texto. Mas foi justamente a conversa e a paciência que resultaram no “Cobaias de Lázaro”. Fizemos o que queríamos, gostamos do resultado e nos dá orgulho e prazer vê-lo pronto. Foi divertido e ainda está sendo.

Principalmente: aprendemos muito durante o processo com nossos erros e acertos e vamos fazer de novo, este ano mesmo. Melhor.

Agradecimentos

A todos, sem exceção, mesmo aos desistentes.

E à nossa conexão neural invisível.

Editores, contabilistas e marketeiros

Claudia Dugim – aqui mesmo (editora, contabilista e pitaqueira)

Sérgio Suzart – https://www.facebook.com/zillianpage (editor honorário)

Giovani Arieira –  http://oarieira.blogspot.com.br/ (editor internacional)

Carlos Moffatt –  http://www.carlosmoffatt.com.br/ (editor e marketeiro)

Eber Dantas – http://www.thegeekers.com.br/ (editor e famosão)

Participantes

Eduardo Prota – http://www.infinitoslivros.com/

Guilherme Vertamatti – http://gamehall.uol.com.br/meialua/costelas-e-hidromel

Isaac Alves Moreira – https://skyisaac.wordpress.com/

Marco Antonio Febrini Jr

http://novedragoes.blogspot.com.br

http://acc.descolados.com/

Ricardo Strowitzky – sei lá, ele também não sabe, mas dá para encontrar pelo facebook, twitter, instagram, youtube etc.

Links relacionados:

LEIA o conto “Atormentando Pilar” na íntegra em:
• Wattpad: http://www.wattpad.com/…/32908377-atormentando-pilar-de…
• Widbook: http://www.widbook.com/ebook/read/atormentando-pilar

COMPRE:
• Amazon: http://www.amazon.com.br/dp/B00TERUOMY

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Capas completas: Dois Lados, Duas Vidas + Piratas

Mais das aventuras de Ogumé e Timbo aqui no Piratas da Editora Catavento com organização competente da Karen Alvarez

Eu, Papel e Palavras

PARA TUDO! Como assim você ainda não aproveitou as ofertas de pré-venda da Editora Cata-vento? Sério?! Pois então, só pra deixar você com mais vontade, olha só as capas completas de Dois Lados, Duas Vidas e de Piratas!

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“Eu sabia que você iria voltar.”

Você é capaz de perdoar? E de perdoar a si mesmo?
Vivian e Gabriel se encontram, desencontram e se perseguem por toda uma vida – ou vidas. Os dois provam intensamente o amor, a dor e o ódio. Em Alameda dos Pesadelos você conheceu a história de Vivian. Agora você pode conhecer a de Gabriel.
Nos dois contos de Dois Lados, Duas Vidas Vivian e Gabriel revelam outra parte de suas vidas.
Toda história tem dois lados. Está na hora de conhecê-los.

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Coisas que Gostei em A Torre Acima do Véu de Roberta Spindler – Ed. Giz

Sem título Como já disse das minhas resenhas, elas não são assim “resenhas” de que se possa dizer “Ah! Que resenha! Bela resenha esta”,  Deveria ter falado sobre A Torre Acima do Véu há duas semanas, pois gosto de falar dos livros assim que termino a leitura, sem problemas, este livro é bom e livros bons grudam em nossas mentes.

Li e não me lembro onde uma “crítica” sobre A Torre Acima do Véu ser quase juvenil, na minha opinião, o que não desmerece em nada o livro, ninguém precisa rotular seu público para escrever para ele, não nos dias de hoje, tenho 55 anos e adorei o livro. Primeiro por que é o tipo de livro/história que gosto, distopia urbana com protagonistas fortes e independentes. Segundo, há muitos escritores que forçam a barra nos diálogos ou nas cenas para parecerem “adultos descolados”, sem que nada seja acrescentado à história.

Gostei dos “superpoderes” que são algumas vantagens genéticas perfeitamente explicáveis tornando a história e os protagonistas reais e críveis. Beca, a menina de 20 anos, personagem principal, é uma saltadora, alguém com musculatura e força mais desenvolvidas. Os teleportadores são licença poética, a trama fica muito mais emocionante com eles.

Emoção e ação é o que há de sobra no bem escrito A Torre Acima do Véu, e não é fácil criar um mundo futurista, pós-apocalíptico, distópico. O leitor deste gênero é atento aos detalhes, esmiúça os acontecimentos e aponta suas falhas. Eu mesmo, no início do livro, apontava possíveis inconsistências, que logo se dissipavam. Passada a desconfiança inicial, a história estava lá, plena: personagens com suas vozes e características marcantes, cenários descritos para envolver a história, não suplantá-la, uma trama contagiante do começo ao fim. O que mais gostei em A Torre Acima do Véu foi:

1 – Rio-Aires, é aqui mesmo que se passa esta distopia, os personagens são latinos, parecem-se conosco, falam como nós. Fora os da Torre que são árabes.

2 – Nas entrelinhas do estilo de Roberta Spindler, ainda marcado pelos RPGs e traduções dos livros de fantasia e seus adjetivos “focadamente estranhos”, é possível ver uma escritora sensível e vigorosa, capaz de transmitir para o leitor o que o personagem sente para além da ação/cenário à sua volta.

Deixem-se envolver pela névoa de A Torre Acima do Véu de Roberta Spindler, editora Giz, 271 páginas. http://rspindler.tumblr.com/ http://www.gizeditorial.com.br/web/titulos/?book=174 imagem