Superando o Bloqueio Criativo – Artigo de J. Mcnamara

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Overcoming Writing Block – J. Mcnamara – Tradução e adaptação de Claudia Dugim

Para muitos escritores a pior parte da experiência de escrever é o “começar”, quando se está sentados na mesa da cozinha/quarto/escritório admirando a folha de papel em branco na tela estável e perfeitamente vazia do monitor. “Não tenho nada a dizer”, é a única coisa que vem à cabeça. “Eu tenho 20 anos e não fiz nada, não descobri nada, não sou nada (este texto é em inglês e infelizmente eles não tiveram um Fernando Pessoa) e não existe pensamento  em minha cabeça que alguém, algum dia, gostaria de ler. Esta é a “Auto Crítica” no seu cérebro, sua censura interior, e algumas vezes esta censura é maior do que você. Quem sabe a causa da existência desta horrível “Auto Crítica”? Uma experiência desastrosa na infância, talvez, uma crítica muito rígida de um professor a um texto seu, não importa. A “Auto Crítica” existe para todos nós, construindo e reconstruindo esta coisa limitadora chamada Bloqueio Criativo. Pode ser reconfortante saber que até escritores profissionais sofrem de bloqueio criativo de vez em quando. Alguns dos grandes escritores, como Leon Tolstoy, Virginia Wolf, Josef Conrad,  eram atormentados por lapsos momentâneos na sua habilidade de produzir textos, não importa o quão produtivo seja o autor, um dia acontece.

O poeta americano W. Stafford oferece este conselho aos poetas que sofrem de bloqueio criativo: “Não existe esta coisa de Bloqueio Criativo para escritores de baixo nível”. A principio, este parece um conselho terrível. “Que?! Esperam que eu escreva um lixo qualquer?! É isso?! Sou melhor que isto!” Não, Stanford não está encorajando escritores a produzirem porcaria. Embora ele sugira que é fácil você se levar tão a sério ao ponto de achar que está produzindo a maior, mais encantadora, mais inteligente frase já escrita em todos os tempos. Se for assim, sente e pense o quanto você não vale a pena, amaldiçoe o dia em que nasceu, imagine por que cargas d’água você resolveu estudar, odeie cada frustante momento em que escreveu e não seu texto não funcionou . Um escritor tem que deixar-se levar, esquecer sobre censura e crítica. Vá em frente e escreva qualquer coisa, contanto que escreva. A parte todo o nonsense e as divagações, no entanto, acredite que alguma coisa boa irá sair, alguma ideia se acenderá ali mesmo, naquela página em branco, faiscará e guiará você. Disponha-se a jogar coisas no lixo. Tudo bem. Pode encher a lixeira do seu computador com “papéis amassados”. Alguma coisa boa vai sair deste processo.

Sempre carregue um bloco de notas, eletrônico ou não, onde você possa escrever ideias que surjam de repente. Quantas vezes as ideias não chegam até você dentro de um vagão de metrô ou na mesa de um bar? Você acha que se lembrará delas e então ao chegar em casa e sentar na frente do computador tudo o que você se lembra é que teve uma boa ideia uma hora atrás.(*) Parte da experiência de escrever decorre do fato de aprender que as ideias aparecem de maneira fortuita, não só quando nos predispomos a tê-las.

Pessoas que dizem a você que a atividade física é essencial ao processo mental dizem a verdade. Se nada acontece ao sentar-se na frente do computador, vá dar uma volta. Bata uma bolinha, corra em volta do quarteirão. Leve o bloco de notas com você. Sangue novo circulará pelo seu cérebro e ele ficará mais disposto e vigoroso.

Outro truque é começar no meio do seu projeto de escrita. Evitando aquele problema de começar por começar para ver onde vai dar. Comece pela parte do projeto que mais te interessa e depois volte à questão da introdução. Parece  como começar no segundo tempo do jogo. mas não é uma má ideia, por que algumas vezes é mais fácil dizer onde se quer chegar se já soubermos onde ir. Um jogo só se define no segundo tempo, às vezes na prorrogação. Uma dica final sobre Bloqueio Criativo, converse com um amigo sobre seus escritos, troque ideias, fale e grave em voz alta, depois ouça e veja se não consegue melhorar o corpo da ideia ou escreva livremente sobre o que ouviu.

(*) Opinião da tradutora/escritora – uma boa ideia não anula outra, muitas vezes eu perco uma ideia e depois outra melhor aparece, não é o fim do mundo.

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About claudiadu

Sou professora e escritora. Gosto de ler e escrever Ficção Científica e Fantasia. O resto é bobagem. Livros: O Caminho do Príncipe Matando Gigantes Um Pequeno Livro de Poemas, 70% Água Na Taverna do Capitão Destroços Contos do Mimeógrafo Noveletas: IICO Contos publicados: Gente é Tão Bom - Trasgo no. 1 O Tesouro de Nossa Senhora dos Condenados, Coletânea Piratas - Editora Catavento Lolipop, Coletânea Boy's Love - Editora Draco Monsuta - Shi, Coletânea Dragões - Draco Encaixotando Nina - Cobaias de Lázaro Invasão de Corpos - co autoria, Cobaias de Lázaro Seduzindo Oliver - co-autoria, Cobaias de Lázaro A Princesa no Escafandro Cor-de-Rosa - Contos Sonoros do Meia Lua Pra Frente e Soco Extensão - Contos Sonoros do Meia Lua Pra Frente e Soco A sair em breve: Retrônicos, coletânea - editoração e conto O Menino Jaguar e o Escudo do Sol - Trasgo 10

Posted on January 15, 2014, in Dicas Para Escritores Iniciantes. Bookmark the permalink. Leave a comment.

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